Açores querem cumprimento das leis regionais na investigação internacional no mar
24 de dez. de 2021, 07:15
— Lusa/AO Online
No documento, o
executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM) emite um parecer favorável à
iniciativa, mas “condicionado” à inclusão das alterações propostas pela
região, que pretendem “garantir o cumprimento de legislação regional em
matéria de ambiente e de recolha de amostras para fins científicos e
tecnológicos”.Em causa está o projeto de
decreto-lei que regulamenta as atividades de investigação científica
marinha no espaço marítimo nacional e águas interiores marítimas, quando
realizadas por entidades internacionais, proposto pelo Governo da
República.Entre as propostas de alteração,
o governo liderado por José Manuel Bolieiro pretende que a investigação
científica marinha seja realizada em “conformidade” com a legislação
regional e não apenas com a legislação nacional.As
alterações procuram garantir o cumprimento de dois decretos
legislativos dos Açores: o regime jurídico da recolha de amostras para
fins científicos e tecnológicos e o Parque Marinho dos Açores.Apesar
de a iniciativa do executivo de António Costa prever a consulta das
regiões autónomas aquando da autorização das atividades científicas
marinhas, o Governo dos Açores sugere que as regiões sejam consultadas
“através da emissão de parecer obrigatório e vinculativo”.O
executivo açoriano pretende que o decreto regulamente as atividades
promovidas por “Estados-membros da União Europeia”, enquanto a proposta
nacional prevê apenas regulamentar a atividade de “Estados estrangeiros
ou organizações internacionais e outras entidades não nacionais, a seu
pedido ou a convite do Estado português”.O
Governo Regional propõe que a decisão da suspensão da investigação
científica, atribuída ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera
(IPMA), seja feita “em articulação com os governos das regiões
autónomas”.Os Açores querem também que os
arquipélagos tenham capacidade para nomear investigadores ou
observadores (para acompanharem as missões científicas), uma competência
que está apenas atribuída ao IPMA.No
parecer interno do Governo dos Açores, feito pela secretaria do Mar e
Pescas, a que a Lusa também teve acesso, lê-se que o diploma do Governo
da República “apresenta um pendor centralista” e “não respeita as
competências das regiões autónomas”.A
Assembleia Regional, por intermédio da Comissão de Assuntos Sociais,
emitiu, por unanimidade, um parecer negativo àquela proposta, por
considerar que as competências da região não são respeitadas.Aquele
decreto pretende regulamentar a atividade cientifica internacional, tal
como estudos técnicos, levantamentos e mapeamentos oceanográficos,
estudos de avaliação de impacto ambiental e recolha de amostras no mar
português.