Açores querem criar sistema de alerta para desastres naturais na Ribeira Quente
23 de abr. de 2025, 08:59
— Lusa/AO Online
Após
a apresentação do PRISMAC, o investigador do Instituto de Investigação
em Vulcanologia e Avaliação de Riscos (IVAR) Rui Marques explicou que um
dos objetivos do projeto é o “desenvolvimento de sistemas de
monitorização” com informação geotécnica e meteorológica na Ribeira
Quente, no concelho da Povoação, na ilha de São Miguel.“Será
desenvolvido um sistema à escala regional, não localizado à escala do
talude, mas à escala do vale, em que serão colocados sistemas de
monitorização”, explicou, falando aos jornalistas no Laboratório
Regional de Engenharia Civil, em Ponta Delgada.O
PRISMAC surge no âmbito do programa INTERREG VI-D Madeira, Açores,
Canárias 2021-2027 e tem um orçamento global de 1.255.090 euros, sendo
comparticipado em 85% pelo FEDER.O projeto
consiste em três vertentes essenciais para três regiões que sofrem da
mesma patologia (instabilidade de taludes) e que, em conjunto, será
executado por um período de quatro anos.Segundo
Rui Marques, além da implementação de “programas de monitorização e
sistemas de alerta e alarme” para deslizamento de terras, o projeto vai
analisar o impacto das alterações climáticas.“Em zonas que não podem ser intervencionadas, podem ser criados alertas, com sinais luminosos e sinais sonoros”, exemplificou.A
iniciativa pretende, também, criar uma rede de colaboração entre várias
entidades e a população para promover uma “cultura de risco” e
facilitar a tomada de decisão em caso de catástrofe.“Toda
a parte de conceção e arquitetura do sistema regional será feito ao
longo deste projeto. Possivelmente será acabado um ano antes do fim em
2027. Através da direção regional das Obras Públicas, este sistema de
alerta à escala regional vai ser candidato a outros fundos de
financiamento”, detalhou o também professor universitário. Já
a secretária do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas do Governo dos
Açores, Berta Cabral, alertou para a necessidade de
mitigar as consequências de fenómenos extremos que vão passar a ser mais
comuns com as alterações climáticas.“Estes
fenómenos [extremos] não os podemos impedir. As alterações climáticas,
do mesmo modo, não podemos impedir. Podemos é prevenir, prevenir as
populações, prevenir as infraestruturas, prevenir as condições do
território”, destacou Berta Cabral.A secretária regional destacou que as conclusões do projeto vão ser tidas em conta para investimentos futuros na Ribeira Quente.“Há
várias hipóteses e são essas hipóteses que têm de ser ponderadas, pode
ser continuar o semi-túnel ou fazer por túnel até à Ribeira Quente. São
situações que carecem de muito trabalho e estudo”, ressalvou.No
dia 31 de outubro de 1997, chuvas torrenciais provocaram derrocadas que
soterraram parte da freguesia açoriana da Ribeira Quente, matando 29
pessoas.Mais recentemente, em junho de
2023, a única estrada de acesso à Ribeira Quente esteve cortada ao
trânsito cerca de 15 horas, devido a uma derrocada, tendo o Governo
Regional construído um semi-túnel que custou cerca de seis milhões de
euros.O PRISMAC tem ainda como parceiros a
Fundação Gaspar Frutuoso, o Instituto Vulcanológico das Canárias, a
Universidade Técnica do Atlântico e a Universidade de Cabo Verde.