Açores procuram parceiros para financiar operação de navio de investigação
Hoje 15:52
— Lusa/AO Online
“Esta capacidade instalada é um ‘boost’, é uma grande referência para o cluster do mar e para a investigação científica, que passamos a ter nos Açores, mas a sua operacionalização é, verdadeiramente, um peso, um custo, que temos de saber coordenar, distribuindo as oportunidades, mas também a gestão dos seus custos”, advertiu José Manuel Bolieiro, à margem da cerimónia.De acordo com as contas do executivo de coligação (PSD/CDS-PP/PPM), os custos operacionais do novo navio, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), ronda os 18 mil euros/dia, valor demasiado elevado para ser suportado apenas pelo Instituto Okeanos ou pelo Instituto do Mar (IMAR), da Universidade dos Açores, que habitualmente realizam campanhas de investigação no mar dos Açores.“Isto é um projeto de dimensão nacional e até europeia, e queremos ter parceiros para otimizar a sua utilização e, claro está, dar sustentabilidade financeira ao seu funcionamento e à sua operacionalidade”, insistiu o governante, lembrando que o navio, construído nos “Astilleros Armon”, em Espanha, custou 35 milhões de euros e representa “o maior investimento" já feito nos Açores, na área da investigação marinha.O navio, com 46 metros de comprimento, tem propulsão diesel e elétrica, e está equipado com um ROV (veículo operado remotamente), que vai permitir realizar operações científicas até 5 mil metros de profundidade, com sistemas avançados de batimetria, sonar, acústica submarina e monitorização ambiental.O Azores Ocean foi batizado numa cerimónia em que não participaram os responsáveis pelo Okeanos e pelo IMAR, que já tinham criticado o Governo em agosto, quando o navio chegou aos Açores, por não terem sido convidados a visitar a embarcação, mas o Governo desvaloriza essas ausências.“Isso responsabiliza os próprios. Eu fui sempre claro. Eu conto com a Universidade dos Açores e tenho feito um elogio e um reconhecimento ao Okeanos, ao IMAR, aos nossos investigadores. Eles são merecedores do nosso apreço e do nosso reconhecimento e estamos a trabalhar para que os dotarmos de mais capacidades”, referiu José Manuel Bolieiro, adiantando que o nono navio estará sempre “de portas abertas”.Antes da cerimónia do batismo do Azores Ocean, teve lugar a tomada de posse do primeiro comandante do navio, o capitão-de-fragata Pedro Vieira, natural da ilha Terceira, que com uma guarnição da Marinha Portuguesa irá garantir a operação náutica da embarcação, ao passo que a empresa pública Atlânticoline fica responsável pelo apoio logístico, abastecimentos, manutenção, docagens e certificações do navio.O executivo açoriano convidou para madrinha do “Azores Ocean”, a oceanógrafa e exploradora norte-americana Sylvia Earle, de 91 anos de idade, a primeira mulher a exercer o cargo de cientista-chefe da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), a agência norte-americana responsável pelos oceanos e pela atmosfera, e liderou mais de uma centena de expedições científicas.