Açores preveem ano normal de produção de vinho em quantidade e qualidade
Hoje 10:11
— Lusa/AO Online
Em
declarações à agência Lusa, o presidente do Instituto do Vinho e da
Vinha (IVV) dos Açores, Cláudio Lopes, admitiu que a previsão “aponta
para um ano normal de produção em termos de qualidade e de quantidade”.“Se
atendermos àquilo que tem sido o registo normal dos anos, ao longo da
década, este é um ano até razoável de produção em quantidade e
qualidade”, referiu.Cláudio Lopes
salientou que o ano de 2026 não será idêntico ao anterior, que foi
excecional, de “grande qualidade e de grande quantidade”, mas a previsão
“aponta para 600 a 700 toneladas de vinhos com aptidão para a
classificação de IG [Indicação Geográfica] e DO [Denominação de Origem]
na região, o que é um ano considerado normal”.A
produção anual de uva nos Açores atingiu em 2025 as 1.048 toneladas, o
que constituiu um recorde nos últimos 20 anos, sendo o Pico a ilha líder
neste setor, revelou o Governo dos Açores.O
secretário regional da tutela, António Ventura, adiantou, em abril
deste ano, na sessão de abertura da Expo Atlantic Terroir 2026, que o
ano passado “marcou um recorde das últimas duas décadas, com a produção
de uva na região a atingir as 1.048 toneladas”, sendo que a ilha do Pico
lidera, com 92% da produção regional (956 toneladas), seguida pela ilha
Terceira (36 toneladas).Segundo o
presidente do IVV Açores, o ano de 2026 não foi dos mais favoráveis em
termos climatéricos, pois teve “alguma adversidade” nos momentos mais
críticos do ciclo vegetativo e produtivo.“Mas,
atendendo a que também havia uma produção muito boa à nascença, ao
longo do ciclo essa produção foi sendo afetada pontualmente, mas
registamos, nesta reta final em que já estamos, na fase da vindima, que o
ciclo vai encerrar um ano com a produção em termos de quantidade e
qualidade muito aceitável e mesmo boa”, admitiu.A vindima no arquipélago começou em meados deste mês e deverá decorrer durante mais duas semanas.A
campanha foi antecipada porque na reta final do ciclo vegetativo o
clima não foi muito favorável e foi propício a algumas doenças,
nomeadamente o míldio, que atacou os cachos das uvas, e os produtores
também tiveram receio dos estragos provocados pelas aves (pombas, rolas e
melro preto) e pragas.O presidente do IVV
Açores disse à Lusa que o setor na região está em “pleno crescimento e
consolidação”, com vinhos e produtos vínicos de “muita qualidade”, que é
assegurada pela presença de bons enólogos.“E
o que importa, agora, - e é essa a missão que o IVV Açores também
pretende levar a cabo -, é ajudar a promoção coletiva dos nossos vinhos
nos mercados internacionais, para que possam ser bem vendidos e que haja
um retorno para os próprios empresários vitivinícolas, para verem
compensado o seu esforço e a sua resiliência no setor”, salientou
Cláudio Lopes.O arquipélago açoriano
possui três regiões demarcadas de produção de vinhos de Denominação de
Origem (Pico, Graciosa e Biscoitos - ilha Terceira) e todas as ilhas são
abrangidas pela Indicação Geográfica Açores.Atualmente, existem no território 38 produtores, 115 marcas comerciais e 176 referências.A
paisagem da cultura da vinha do Pico é um sítio classificado pela
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(UNESCO, na sigla em inglês) desde 2004.