Açores preparam caderno de encargos para privatizar conserveira Santa Catarina
22 de jan. de 2019, 15:21
— Lusa/AO Online
“Neste
momento está a ser pensado o caderno de encargos” e “já existiu um ou
outro interessado na unidade fabril”, disse o secretário regional
do Mar, Ciência e Tecnologia.Gui Menezes falava aos jornalistas nas Velas de São Jorge, no âmbito de uma visita do Governo dos Açores à ilha.O
governante explicou também que só com a privatização daquela indústria
transformadora de atum será possível recorrer a fundos comunitários que
possam ser utilizados na sua modernização.O
secretário regional salvaguardou que a qualidade das conservas Santa
Catarina tem vindo a ser reconhecida nos últimos anos, na sequência do
esforço dos trabalhadores e da sua administração.Para
Gui Menezes, não faria sentido privatizar a fábrica de Santa Catarina -
especialista em conservas de atum - se não fossem salvaguardados os
postos de trabalho, razão que levou o Governo dos Açores a intervir no
capital social da empresa, a par do aumento da economia de São Jorge.O
Governo Regional socialista interveio no capital social da indústria
atuneira por forma a salvaguardar os seus postos de trabalho e assegurar
a sua viabilidade financeira, estimando-se a sua dívida bancária em
oito milhões de euros.Sendo
a maior entidade empregadora de São Jorge, com 140 funcionários, na sua
maioria mulheres, o Conselho de Ilha está contra a sua privatização por
temer que o processo tenha consequências económicas e sociais graves
para a economia da ilha.Para
o presidente da Associação de Pescadores da Ilha de São Jorge, António
Laureno, é “péssimo a privatização” da fábrica e já fez “saber isso
junto do presidente do Governo”, uma vez que teme que se passe com a
indústria o mesmo que se passou com a conserveira Cofaco na ilha do
Pico, que encerrou.Para
o líder dos pescadores, isso pode ser o “descalabro para o setor das
pescas”, além da empresa ser o “maior empregador em São Jorge”.