Açores precisam de trabalho diário sem esperar “milagres” da Comissão Europeia

Hoje 15:08 — Lusa

Em declarações à comunicação social após uma reunião com o Conselho Económico e Social dos Açores (CESA), em Ponta Delgada, Pedro Dominguinhos, lembrou que a região tem 14 marcos e metas por concluir até ao fim do PRR, a 31 de agosto.“Não podemos tirar férias até meados de setembro. Todos temos de estar empenhados na concretização, até porque a penalização, no caso de incumprimento de uma meta, é não receber o dinheiro de Bruxelas”, afirmou.O presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR fez uma alusão às Festas do Espírito Santo, que decorrem em Ponta Delgada, para sinalizar que é “necessário trabalhar todos os dias afincadamente”, já que a Comissão Europeia não vai permitir atrasos.“Sei que vamos ter as Festas do Espírito Santo, mas não [podemos] acreditar em milagres da Comissão Europeia. Temos de fazer o nosso trabalho de casa”, reforçou.Dominguinhos destacou que existiu uma “aceleração muito significativa” na execução do PRR nos Açores nos últimos meses e disse ter sentido um “grau de confiança muito elevado” por parte das autoridades de que vai ser possível concluir a execução do plano.“É bom que tenhamos a noção de que temos de ter tudo concluído. O tempo de reprogramação terminou”.O responsável pela comissão de acompanhamento, que esteve a visitar investimentos em diferentes ilhas açorianas, como as residências universitárias, o Tecnopolo-Martec no Faial ou os circuitos logísticos na Terceira e Faial, disse ter a informação de que estão a ser feitos “todos os esforços” para concluir o PRR.Dominguinhos destacou o contributo dos Açores para a execução integral do PRR nacional, já que o país tem 96 marcos e metas por cumprir, 14 dos Açores.“Vi que a maior parte dos equipamentos e materiais de construção estão aprovisionados. (…) Os problemas logísticos são agora menores do que há algum tempo. Temos de trabalhar todos os dias e fazer horas extraordinárias para garantir a execução do PRR”, insistiu.Já a presidente do CESA realçou a “aceleração da execução” do PRR na região nos últimos meses e salientou que os marcos e metas por concretizar “são de natureza da construção civil” e de “execução mais difícil”.“São 51 dias que faltam para 31 de agosto e isso obviamente é desafiante para as várias empresas de construção civil que estão a dar o máximo para que se concretizem as metas definidas no plano. Estão todos empenhados”, afirmou.Piedade Lalanda alertou que a região terá de “suportar uma despesa já feita” em caso de incumprimento, mas realçou que existe um “certo otimismo” na conclusão integral do PRR.A presidente do CESA considerou que o PRR foi uma “aprendizagem” para a região “planear com objetivos claros” e afirmou que o plano “pode ser extremamente transformador”, dando o exemplo do programa Novos Idosos, que apoia os idosos no domicílio.“Temos cartas para mostrar que valeu a pena esse investimento. Temos é de dar sustentabilidade a esse investimento. Não podemos, a partir 2027, deixar cair, nem podemos não ter como dar continuidade, não só a investimentos de natureza material, mas particularmente estes que têm a ver com o cuidado das pessoas”, concluiu.No total, o PRR dedicou perto de 950 milhões para investimentos nos Açores, valor que representa cerca de 16,5% do Produto Interno Bruto da região.