Açores pedem cooperação de países da UE na transição verde e no combate à pobreza
20 de abr. de 2023, 15:05
— Lusa
“Um
dos projetos-piloto que poderia ser trabalhado e estudado teria que ver
com o estabelecimento de uma rede de transporte de energia renovável
por cabo submarino entre as ilhas do grupo central dos Açores, Terceira,
Graciosa, São Jorge, Pico e Faial, para evitar desperdícios de energia
produzida, redistribuindo e partilhando o potencial energético por estas
cinco ilhas”, adiantou Artur Lima, num discurso, em inglês, na
cerimónia de receção dos embaixadores, em Angra do Heroísmo.Uma
delegação composta por representantes de 15 embaixadas de países das
União Europeia em Portugal visita até sexta-feira as ilhas Terceira e
São Miguel, nos Açores, por iniciativa da embaixadora da Suécia, país
que detém a presidência do Conselho da União Europeia no primeiro
semestre de 2023.Na cerimónia de receção,
no Palácio dos Capitães-Generais, em Angra do Heroísmo, Artur Lima
apelou à “cooperação” entre regiões para estudar uma solução de partilha
de energia renovável entre ilhas, que permita “reduzir emissões de CO2,
diminuir a dependência de combustíveis fósseis e avançar com a
transição climática”.O presidente da
Eletricidade dos Açores (EDA), empresa detida em 50,1% pela Região
Autónoma dos Açores, disse, a 13 de março, que transportar eletricidade
por cabos submarinos na região não era “técnica e economicamente
viável”.Nuno Pimentel lembrou que a região
já tinha tentado instalar, sem sucesso, um cabo submarino para partilha
de energia entre as ilhas do Pico e do Faial, na década de 80, alegando
que a região não tinha “fundos marinhos adequados” para soluções deste
tipo.Questionado sobre estas declarações,
Artur Lima frisou que o importante é estudar soluções para evitar que se
desperdice energia renovável, como acontece atualmente na ilha
Terceira, que fica a 15 milhas da ilha de São Jorge.“A
EDA é uma empresa comercial, diz o que tem a dizer, eu sou
vice-presidente do Governo Regional dos Açores, tenho de procurar
soluções inovadoras, uma mudança de paradigma e soluções novas e
inovadoras. Será estudado. Se for viável, será implementado, se não for
viável, estudamos e avançamos para outra solução. O que não podemos
estar é totalmente dependentes de energias fósseis”, apontou.O
vice-presidente do executivo açoriano apelou ainda, "com toda a
humildade", aos embaixadores para que trabalhem em conjunto na
“definição de uma nova visão para combater o abandono escolar precoce,
as desigualdades e a pobreza” nos Açores, lembrando que o arquipélago
ainda está "na cauda da Europa" nestes indicadores.“Não
seria, por exemplo, inovador uma partilha do conhecimento e da
experiência de organismos e institutos dos vossos países para, assim,
nos ajudarem a encontrar as melhores soluções para enfrentar problemas
sociais persistentes? Uma nova visão para enfrentar a pobreza deveria
merecer a criação de um programa de apoio comunitário específico, com
fundos próprios e com um cronograma de execução sensível aos
constrangimentos insulares”, afirmou.Artur
Lima revelou aos jornalistas que os embaixadores se mostraram “muito
recetivos” às propostas dos Açores e disse esperar que surja “alguma
resposta positiva”.Questionada, no final
do evento, sobre os desafios lançados pelo vice-presidente do Governo
Regional, a embaixadora da Suécia em Portugal, Elisabeth Eklund, admitiu
estudar uma possível cooperação.“É um
assunto que vamos discutir entre nós e com os nossos governos e regiões.
Sei que os Açores têm beneficiado de muito apoio da União Europeia, o
que é excelente. Foi uma boa proposta e será discutida com os colegas”,
avançou.