Açores pedem colaboração da PSP na deteção de incumprimentos de quarentena

Covid-19

17 de mar. de 2020, 19:30 — Susete Rodrigues/AO Online

“Existe esta não adequação da atitude e do comportamento da população por aquilo que têm sido as recomendações já demais emanadas por todas as entidades regionais e nacionais. Tivemos de ter um contacto próximo com o comando regional da Polícia de Segurança Pública para que nos possa auxiliar nesta medida”, avançou Tiago Lopes, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.A Autoridade de Saúde Regional dos Açores anunciou no sábado, ao início da tarde, que "todos os passageiros de voos do exterior que aterrem na região" passariam a estar "obrigados a cumprir um período obrigatório de quarentena de 14 dias".O Governo Regional dos Açores, enquanto acionista do Grupo SATA, determinou a concentração da atividade operacional da Azores Airlines - que opera de e para fora da região - no aeroporto de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.Atualmente, apenas as ilhas Terceira (através da TAP e Ryanair) e São Miguel têm ligações aéreas diretas para o exterior dos Açores, mas a quarentena deve ser cumprida na ilha de chegada e não na ilha de destino final.Segundo Tiago Lopes, em causa está a proteção da saúde pública nos Açores, sobretudo nas ilhas mais pequenas, que têm “menos recursos” (só existem hospitais nas ilhas de São Miguel, Terceira e Faial), e onde a propagação do vírus seria “bastante danosa”.“Se as pessoas aterram em São Miguel ou na Terceira, que têm uma unidade hospitalar de inolvidável referência em diversas especialidades e que possuem recursos necessários para dar resposta a um eventual surto localizado, não era a melhor prática deixar essa pessoa prosseguir até à sua residência de destino, na eventualidade de ser portadora de um vírus que poderia disseminar-se e propagar-se na localidade”, salientou.O responsável pela Autoridade Regional de Saúde admitiu que a situação traz “bastantes constrangimentos à população”, mas salientou que, “desde quarta-feira, que o Governo Regional dos Açores recomenda publicamente e vivamente o adiamento e o cancelamento de viagens para a região”.“Contactámos com companhias aéreas e com aeroportos para que os mesmos, nas portas de embarque, informassem que, a vir gente para a Região Autónoma dos Açores, poderia ser submetida a um período de quarentena de 14 dias”, reforçou.A SATA Air Açores é a única companhia aérea que realiza voos entre as ilhas, mas segundo Tiago Lopes “não tem conhecimento dos passageiros a quem entretanto foi determinada a quarentena”, por isso, “não pode ser responsabilizada por deixar as pessoas passar nas portas de embarque e seguir para a sua ilha de destino”.“Estamos a socorrer-nos de forças de segurança adicionais que possam colaborar connosco na verificação do cumprimento da medida que foi imposta, da quarentena, porque infelizmente a primeira e aquela que se esperaria, que era mais fácil, que exigiria menos recursos, que era a responsabilidade e consciência de cada cidadão, não está a acontecer”, frisou.O responsável da Autoridade de Saúde Regional deu como exemplo o caso de uma pessoa da ilha de São Jorge que foi encaminhada para o hospital da ilha Terceira com suspeita de Covid-19, a quem foi determinado um período de quarentena e não cumpriu, alegando que “poderia atentar contra a sua saúde e contra a saúde da população”.“Considero uma medida extremamente infeliz, porque não haveria necessidade de tomarmos medidas como a que referi, mas, infelizmente, a atitude e o comportamento da população leva-nos a este efeito”, apontou.Segundo a Autoridade de Saúde Regional, quem não cumprir a quarentena determinada infringe o artigo 348.º do Código Penal, podendo estar sujeito a pena de prisão até dois anos ou a uma multa de 240 dias.Nos Açores, há um caso confirmado de Covid-19, estando ainda a aguardar resultados laboratoriais oito casos suspeitos, dois dos quais cujos primeiros testes foram inconclusivos.