Açores já notificaram Comissão Europeia sobre apoios à pesca devido às áreas marinhas
Hoje 15:23
— Lusa/AO Online
“O Governo dos Açores
notificou na passada semana a Comissão Europeia relativamente à matéria
de auxílios de Estado, sendo determinante a conclusão do processo para
implementação do mecanismo de compensação”, avança o executivo açoriano, numa resposta a um requerimento do BE, consultada pela agência Lusa.“O Governo dos Açores
prevê levar a Conselho de Governo Regional a resolução que cria o
Mecanismo de Compensação pela implementação das Áreas Marinhas
Protegidas, por perda de rendimentos, em setembro de 2026, seguindo-se a
publicação da portaria que definirá os procedimentos a observar para as
candidaturas a este mecanismo”, lê-se no documento, que deu entrada no
parlamento regional na terça-feira.O
Governo Regional detalhou que os estudos técnicos sobre o mecanismo de
compensação aos pescadores foram “divulgados junto das organizações
representativas do setor da pesca”, do Governo da República e da
Comissão Europeia, lembrando que o Tratado de Funcionamento da União
Europeia obriga à notificação dos auxílios de Estado.O
executivo também disponibilizou os estudos que avaliaram a
implementação da Rede de Áreas Marinhas Protegidas dos Açores (RAMPA) na
pesca.Num dos relatórios, intitulado
“Mecanismos de Compensação para a Adaptação da Pesca Açoriana à RAMPA”,
da Universidade do Algarve, estima-se uma compensação anual aos
pescadores de 3,27 milhões de euros para 49 embarcações que tenham tido
“atividade efetiva, comprovada através de descargas em lota” entre 2020 e
2024.No outro estudo, investigadores da
Universidade dos Açores concluíram que o “impacto socioeconómico da rede
RAMPA é assimétrico e geograficamente focado em algumas Áreas Marinhas
Protegidas”, com “incidência particular” nas artes de pesca tradicional
de salto e vara e palangre de fundo.“Sendo
estas as artes motoras da frota regional, a sua dependência de
estruturas topográficas estratégicas, nomeadamente os bancos Princesa
Alice, Gigante e Voador, traduz-se num impacto estrutural que, embora
moderado na média global, revela casos críticos ao nível individual, com
embarcações a enfrentarem perdas de rendimento superiores a 20%”, lê-se
no estudo “Impacto potencial da nova RAMPA na atividade da frota
pesqueira regional”.A compensação aos
pescadores pela criação da Rede Regional de Áreas Marinhas Protegidas
dos Açores, de 10 milhões de euros, no máximo, será transferida entre
2026 e 2028, segundo uma resolução do Conselho de Ministros publicada a
21 de janeiro.Esse montante, a transferir
anualmente para a Região Autónoma dos Açores, é distribuído por três
anos, com valores máximos de 2,5 milhões de euros em 2026, 4,25 milhões
em 2027 e 3,25 milhões em 2028.A nova Rede
Regional de Áreas Marinhas Protegidas dos Açores cobre 287 mil
quilómetros quadrados e “contribui significativamente para que Portugal e
a União Europeia cumpram os objetivos internacionais de conservação
definidos para a década”.