Açores foram a região com distribuição de rendimento mais desigual em 2020
18 de jul. de 2022, 06:16
— Nuno Martins Neves
A Região Autónoma dos Açores, juntamente com a Área Metropolitana de
Lisboa e a região Centro, registaram a maior desigualdade na
distribuição de rendimentos monetários do país, em 2020. Os dados estão
presentes no Anuário Estatístico de Portugal 2021, lançado na última
quarta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística.A nível
nacional, a tendência de diminuição da desigualdade de rendimentos,
verificada desde 2014, foi interrompida. O valor do coeficiente de Gini
em 2020 foi de 33%, mais 1,8 pontos percentuais (p.p.) que no ano
transato (31,2%), enquanto, de acordo com o rácio S80/S20, o rendimento
monetário líquido equivalente dos 20% de habitantes com rendimento mais
elevados foi 5,7 vezes maior que o equivalente dos 20% da população com
menos recursos (em 2019 foi 5 vezes maior). A região com menos
desigualdade foi o Alentejo.Quanto à população em risco de pobreza,
as regiões autónomas dos Açores e da Madeira surgem em contraciclo com o
resto do país. Enquanto a nível nacional se registou um aumento da
população em risco de pobreza (mais 2,2 p.p. que no ano passado,
situando-se nos 18,4% em 2020), nos Açores e na Madeira baixaram 6,6 e
2,1 p.p., respetivamente. No outro extremo, Norte (mais 3,3 p.p.),
Centro (mais 3,3 p.p.) e Algarve (mais 3,9 p.p.) foram as regiões onde
aumentou o número de pessoas em risco de pobreza.O INE apresentou na
quarta-feira a 113.ª edição do Anuário Estatístico de Portugal (AEP), a
qual dá continuidade a uma longa tradição iniciada em 1877. O AEP 2021
apresenta uma análise global que permite uma visão abrangente dos
fenómenos registados em 2021 em termos sociais, económicos e
demográficos.A atual edição está organizada em 30 subcapítulos,
distribuídos em 4 grandes temas: O Território, As Pessoas, A Atividade
Económica e O Estado. Cada subcapítulo consiste numa análise estatística
sintética acompanhada de uma página infográfica, permitindo uma rápida
apreensão dos fenómenos salientados. Os dados estatísticos, que
acompanham esta publicação, apresentam séries temporais desagregadas ao
nível de NUTS I e II, possibilitando uma comparação cronológica e
espacial dos fenómenos retratados.