Açores exigem “soluções diferenciadas” devido à vulnerabilidade face a ruturas na energia
Hoje 16:04
— Lusa/AO Online
Em comunicado, o executivo
regional adiantou que a secretária do Turismo, Mobilidade e
Infraestruturas enviou uma carta à ministra do Ambiente e Energia a
expressar preocupação pela “gravidade da conjuntura internacional,
marcada por elevada instabilidade dos mercados energéticos, fortes
tensões geopolíticas e crescentes limitações na disponibilidade e no
preço dos combustíveis”.“Os Açores
dependem exclusivamente do transporte marítimo para o fornecimento de
combustíveis, ficando especialmente expostos a interrupções nas cadeias
logísticas internacionais. Esta realidade estrutural impõe soluções
diferenciadas, planeamento próprio e uma salvaguarda reforçada nos
mecanismos nacionais de prevenção e resposta a crises energéticas”,
afirmou Berta Cabral, citada na nota de imprensa.Face
ao atual contexto, o Governo dos Açores “exige que o Governo da
República tenha em conta, de forma clara e consequente, as
especificidades das regiões autónomas", já que a "condição arquipelágica
e ultraperiférica acentua de forma significativa a vulnerabilidade a
ruturas no abastecimento energético”.A
secretária regional alertou que “qualquer interrupção” no abastecimento
de combustíveis poderá “colocar em risco” o “fornecimento de
eletricidade” nos Açores e considerou “imprescindível que os planos
nacionais de contingência energética integrem expressamente as regiões
autónomas”.“O abastecimento regular de
combustível de aviação (jet fuel) é absolutamente crítico para a coesão
territorial, para a continuidade do serviço público de transporte aéreo e
para a segurança das populações. Qualquer falha neste domínio teria
consequências imediatas e extremamente gravosas para a região”,
reforçou.Berta Cabral reconheceu que a
gestão das reservas nacionais cabe à Entidade Nacional para o Setor
Energético (ENSE), mas sinalizou que a mobilização “depende de decisões
atempadas, de planeamento logístico específico e de uma articulação
institucional estreita e permanente” entre a República e os Açores.“A
salvaguarda do abastecimento de combustíveis na Região Autónoma dos
Açores não é apenas uma questão operacional. É uma condição essencial da
coesão territorial, da segurança energética nacional e da proteção dos
direitos fundamentais”, vincou.A Comissão
Europeia antecipou hoje “meses e anos muito difíceis” devido à atual
crise energética causada pelo conflito no Médio Oriente, admitindo
pressão sobre o combustível para aviação e preocupação relativamente ao
turismo da União Europeia (UE).A UE
importa a maior parte do petróleo e gás que consome, o que a torna
altamente exposta a choques externos como a atual crise energética.