Açores estão hoje “mais preparados” para enfrentar situações de catástrofe
Hoje 16:31
— Lusa/AO Online
“Podemos afirmar, com
responsabilidade política e com base em dados concretos, que os Açores
estão hoje mais preparados para enfrentar situações de emergência e
catástrofe do que no passado”, disse Alonso Miguel, na Assembleia
Regional, na Horta, no debate de urgência sobre "Prevenção, Plano de
Catástrofes e Capacidade de Resposta da Região", pedido pelo Chega.O
governante referiu que os Açores “apresentam elevada exposição a
diferentes perigos naturais” que colocam em causa a segurança das
populações e causam prejuízos materiais e financeiros avultados e a
estratégia “tem assentado no reforço do conhecimento” e no
desenvolvimento de instrumentos que permitam monitorizar, prever e
avaliar os riscos e capacitar a região ao nível da resposta operacional.O
trabalho desenvolvido em conjunto com a comunidade científica tem
permitido “um reforço contínuo dos meios de monitorização, previsão e
avaliação do risco sísmico, vulcânico e meteorológico”.Alonso
Miguel também referiu vários investimentos realizados e em curso, tendo
anunciado que este ano será lançado um concurso internacional para um
sistema de alerta de cheias em bacias hidrográficas de risco, num
investimento previsto de 1,5 milhões de euros.“O
investimento de 3,7 milhões de euros projetado para a criação de
cartografia de risco é outro aspeto determinante. Em 2026, será lançado
um procedimento para aquisição de serviços de cartografia topográfica
vetorial, de elevado detalhe, que permitirá melhorar significativamente a
identificação de riscos associados a inundações, galgamentos costeiros e
movimentos de vertente”, revelou.Na
abertura do debate, José Pacheco (Chega) justificou a reflexão por o
arquipélago estar exposto a riscos vulcânicos, meteorológicos e
hidrográficos: "A questão que hoje aqui colocamos é objetiva: qual é o
nível real de preparação da Região Autónoma dos Açores para um cenário
de catástrofe de grande escala?".José
Pacheco considerou que a região “tem condições para ser exemplo de
resiliência insular, mas isso exige avaliação rigorosa, compromisso
político e execução concreta”.Pedro
Ferreira (IL), por seu turno, referiu que os Açores “enfrentam um
sistema de riscos múltiplos e cumulativos” e as alterações climáticas
significam “maior pressão sobre infraestruturas costeiras, maior risco
de derrocadas associadas a precipitação intensa, maior erosão e maior
instabilidade em zonas já vulneráveis”.“Num território como o nosso, a prevenção não pode ser um documento arquivado. Tem de ser uma cultura permanente”, defendeu.Já
Joana Pombo Tavares (PS) salientou que a região “tem sabido responder”
às alterações climáticas e desde 2011 que definiu uma política para
encarar os desafios, com a criação da Estratégia Regional para as
Alterações Climáticas e do Programa Regional para as Alterações
Climáticas.Depois de admitir que a região
tem demonstrado capacidade de enfrentar situações de emergência,
mobilizando meios, ativando planos e protegendo populações, referiu a
necessidade de melhorar a resposta. “A prevenção é o maior investimento
que podemos fazer”, afirmou.O parlamentar
do PSD Luís Soares lembrou que a proteção civil foi criada na região
após o sismo de 1980 e os melhores testes que o serviço tem tido,
“infelizmente, são em cenário real”.“A
proteção civil nos Açores está muito bem equipada, muito bem motivada
para responder aos fenómenos que têm surgido e que se prevê que venham a
surgir. Somos um exemplo a nível nacional do que melhor se faz ao nível
da proteção civil”, admitiu.Pelo CDS-PP,
Pedro Pinto salientou que na região “existe uma estratégia que não
assenta apenas na reação, mas também, e sobretudo, na prevenção, no
planeamento e na antecipação”.“Mais
ciência e mais conhecimento significam maior capacidade de previsão,
melhor planeamento e decisões públicas mais informadas, reforçando a
preparação da região perante riscos naturais”, apontou.Por sua vez, o deputado Pedro Neves (PAN) assumiu que a “melhor resposta às catástrofes é a prevenção”.Disse
que aquilo que está a acontecer em Portugal continental “é, e foi, um
alerta” e que a solução “é a prevenção e assumir que as alterações
climáticas estão para ficar”.Pelo BE,
António Lima reconheceu a necessidade de debater os recursos, a
legislação, os planos e a prevenção: “A nossa melhor ferramenta para
prevenir os riscos a que a região está sujeita […] é a prevenção”. “O
tempo atual é extremamente exigente”, referiu, considerando que o
ordenamento do território “é o principal instrumento de prevenção e de
redução dos riscos”.João Mendonça (PPM)
referiu que os Açores estão expostos a fenómenos extremos, “o que exige
preparação contínua, coordenação institucional e meios operacionais
disponíveis”.A preparação “tem de ser permanente” e o Governo Regional de coligação “tem vindo a reforçar” a capacidade instalada.O
deputado Luís Silveira (CDS-PP), ex-presidente da Câmara Municipal de
Velas, São Jorge, disse que os habitantes da ilha “estão gratos pela
forma como a proteção civil funcionou durante a crise sismovulcânica” de
2022.