Açores e Madeira registaram crescimento económico em 2024 mas com ritmo a abrandar
Hoje 15:05
— Lusa/AO Online
De
acordo com o relatório “Evolução Orçamental das Regiões Autónomas em
2024”, o Produto Interno Bruto (PIB) dos Açores “voltou a registar um
abrandamento, aumentando, ainda assim, 2,3% em termos reais, superando
em 0,2 p.p [pontos percentuais] o crescimento do PIB de Portugal (2,1%),
impulsionado pelo turismo e serviços associados, que continuaram a ser
um dos principais motores da economia da região”.Apesar do aumento face a 2023, o PIB dos Açores permaneceu, em 2024, “abaixo da média nacional e distante da média europeia”.Na
Madeira, o ritmo de crescimento económico também sofreu uma
desaceleração, “crescendo 1,5% em termos reais, um terço do registado em
2023 e menos do que o crescimento do conjunto do país”.O
relatório do CFP salienta que, segundo os dados do Instituto Nacional
de Estatística (INE), “este abrandamento refletiu em particular a
redução do valor acrescentado bruto (VAB) dos serviços prestados às
empresas, associada à menor atividade no Centro Internacional de
Negócios da Madeira”.Ainda assim, o PIB da
Madeira “convergiu pelo quarto ano consecutivo com o da União Europeia,
atingindo 88,3% da UE27 (+4,7 p.p. do que em 2023 e +5,9 p.p. do que o
registado por Portugal)”, é referido no documento.O
CFP destaca também que a administração pública regional manteve um
saldo equilibrado e reforçou a trajetória de redução do rácio da dívida
pública.“Apesar das posições orçamentais
distintas, evidenciadas na melhoria do saldo positivo da Região Autónoma
da Madeira (RAM) e no agravamento do défice da Região Autónoma dos
Açores (RAA), o conjunto da Administração Regional (AdR) manteve um
saldo equilibrado em termos relativos, equivalente a 0,0% do PIB de
Portugal, não tendo assim contribuído para a deterioração do excedente
orçamental do conjunto das Administrações Públicas, que diminuiu 0,8
p.p. do PIB em 2024”, aponta o relatório. O
rácio da dívida pública regional, na definição de Maastricht,
prosseguiu uma trajetória descendente, evoluindo de 3% do PIB em 2023
para 2,9% em 2024, “beneficiando pelo segundo ano consecutivo do
contributo de ambas as regiões”.A Madeira
registou uma redução mais expressiva, enquanto os Açores prosseguiram a
redução do rácio da dívida iniciada em 2023, assinala o Conselho de
Finanças Públicas.A administração pública
regional contribuiu, assim, para o decréscimo do rácio da dívida das
administrações públicas nacionais, que em 2024 se fixou em 93,6% do PIB,
“o valor mais baixo desde 2010”.O
arquipélago dos Açores registou um aumento do défice orçamental para
4,3% do PIB regional, em 2024, face aos 2,5% verificados em 2023, “em
resultado do crescimento da despesa pública regional”.A
subida está associada, em parte, à integração das empresas SATA Air
Açores, S.A. e SATA Gestão de Aeródromos, S.A. no perímetro orçamental
desta região autónoma em 2024, explica o CFP.Ainda
assim, apesar do agravamento do saldo, o rácio da dívida dos Açores, na
definição de Maastricht, registou um decréscimo pelo segundo ano
consecutivo, com uma diminuição de 0,6 pontos percentuais do PIB
regional para 59%, devido ao crescimento nominal do produto regional.A
dívida regional dos Açores, que inclui a dívida comercial, totalizava
3.493 milhões de euros, em 2024, correspondendo a 60,7% do PIB regional,
mais 177 milhões do que em 2023, “continuando a representar um fator de
risco para a sustentabilidade das finanças regionais”.A
Madeira manteve um excedente orçamental de 2,3% do PIB regional, uma
melhoria de dois pontos percentuais face a 2023, que se deveu
integralmente ao aumento do PIB da região.O
rácio da dívida, na definição de Maastricht, situou-se em 65,8% do PIB
regional, uma melhoria de seis pontos percentuais face a 2023,
representando o valor relativo mais baixo desde 2009.“Esta
melhoria foi explicada pelo efeito dinâmico de 3,7 p.p. do PIBR,
decorrente de um crescimento nominal do produto regional superior ao
custo dos juros e pelo excedente primário de 3,6% do PIBR, que mais do
que compensaram o efeito desfavorável do ajustamento défice-dívida (1,2
p.p. do PIBR)”, indica o CFP.A dívida
regional da Madeira totalizou 4.840 milhões de euros em 2024, menos 127
milhões de euros face a 2023, sendo que “o maior contributo para essa
redução foi dado pela dívida não financeira, em 73 milhões de euros,
refletindo a diminuição de responsabilidades junto de fornecedores e
outros credores”.