Açores e Madeira defendem manutenção de apoios europeus a regiões ultraperiféricas
6 de fev. de 2020, 17:01
— Lusa/AO Online
Quer
o executivo dos Açores quer o da Madeira endereçaram esta quinta-feira notas à
imprensa com os principais pontos abordados pelos seus representantes na
conferência: Rui Bettencourt, secretário para as Relações Externas do
Governo dos Açores, representa o presidente do executivo, Vasco
Cordeiro, e a Madeira é representada no encontro pelo vice-presidente do
Governo Regional, Pedro Calado. Para o
representante açoriano, é necessário que todos os 24 Estados-membros da
União "que não têm regiões ultraperiféricas vejam essas potencialidades e
mais valias", nomeadamente a sua "dimensão oceânica, de projeção da
Europa no mundo, de posicionamento geoestratégico"."Através
das propostas que têm sido colocadas na mesa para o Quadro Financeiro,
está em causa, neste momento, a visão da coesão económica, territorial e
social europeia, e a visão que sustenta a própria construção da
Europa", considerou o governante, citado em texto enviado à imprensa
pelo seu gabinete.Já o vice-presidente do
executivo madeirense lembrou que está "iminente a apresentação de uma
nova proposta negocial, sobre o futuro Quadro Financeiro Plurianual,
pelo presidente do Conselho Europeu, Charles Michael", e as regiões
devem fazer valer a necessidade de manter as taxas de comparticipação de
85%.O que está em causa, defende Pedro
Calado, é um conjunto de propostas que estão em cima da mesa e que
"serão muito penalizadoras" para as regiões da ultraperiferia,
"especialmente ao nível da futura Política de Coesão", com menores
recursos para setores como a agricultura, o desenvolvimento rural, o
programa POSEI, as pescas ou assuntos marítimos. Na
anterior Conferência de Presidentes das Regiões Ultraperiféricas, que
decorreu em novembro de 2018 em Las Palmas, ficou formalizada na
declaração final a rejeição de "qualquer redução das taxas de
cofinanciamento europeu".O cofinanciamento
europeu é o instrumento que permite, por exemplo, aos governos
regionais e às autarquias locais receberem apoio na implementação ou
construção de projetos ou obras, sendo que, quanto maior a taxa de
cofinanciamento, menor orçamento próprio é necessário destinar à
referida obra.Foi também referida, no
texto final, a "necessidade de uma conclusão, tão rápida quanto
possível, das negociações sobre o próximo quadro financeiro plurianual e
os seus diferentes regulamentos e programas, para evitar hiatos e
disrupções prejudiciais ao contínuo crescimento económico e social" da
União Europeia e das regiões.A Conferência
de Presidentes das Regiões Ultraperiféricas é uma estrutura de
cooperação política que junta os presidentes dos órgãos executivos das
regiões ultraperiféricas dos Açores, Madeira, Canárias, Guadalupe,
Guiana, Martinica, Reunião, Maiote e Saint-Martin, territórios que, no
seu conjunto, abrangem quase cinco milhões de cidadãos europeus.