Açores e Catalunha querem cooperar na economia azul e na proteção dos oceanos
Hoje 16:49
— Lusa/AO Online
"A Catalunha encontra nos Açores um parceiro estratégico empenhado em construir pontes sólidas de cooperação científica, tecnológica, económica e social”, afirmou o vice-presidente do Governo Regional dos Açores, Artur Lima.“Podemos criar pontes entre o Atlântico e o Mediterrâneo, podemos ligar investigadores, aproximar empresas, desenvolver projetos europeus, partilhar dados e conhecimento, podemos também experimentar novas soluções para a descarbonização, para a economia azul, para a biodiversidade e para a digitalização dos nossos portos”, destacou o delegado do Governo da Catalunha em Portugal, Rui Reis.Os representantes das duas regiões falavam na sessão de abertura do fórum internacional “Oceanos Inteligentes: Sustentabilidade, Tecnologia e Crescimento Económico”, que decorre até terça-feira, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.O vice-presidente do executivo açoriano, que tutela as áreas da Ciência, Inovação e Desenvolvimento, referiu que, apesar de distantes, as duas regiões estão unidas pela “aposta no conhecimento” e pela “convicção de que a transição para uma economia sustentável se constrói cada vez mais em rede”.“A proteção da biodiversidade marinha e o desenvolvimento das tecnologias emergentes aplicadas aos oceanos não admitem respostas isoladas. Exigem alianças internacionais robustas, cooperação e políticas públicas esclarecidas”, frisou.Artur Lima sublinhou que os Açores “não são apenas um vasto território marítimo”, mas “uma região de excelência para a inovação, para a sustentabilidade e para a investigação”.“Aqui nos Açores assumimos, sem hesitações, à nossa dimensão, obviamente, a nossa responsabilidade no cumprimento das metas globais de sustentabilidade. Queremos ser pioneiros na motorização marinha, na descarbonização das infraestruturas portuárias e na capacitação das nossas comunidades costeiras”, reforçou.O governante disse esperar que, do encontro que decorre em Angra do Heroísmo, saiam “soluções concretas” para proteger o mar e para impulsionar a economia das duas regiões.A ideia foi partilhada pelo delegado do Governo da Catalunha, que considerou que o fórum deve ser “o ponto de partida para novas iniciativas de cooperação”.“Que os Açores e a Catalunha deixem de ser apenas dois territórios separados pela geografia e passem a ser dois territórios ligados por uma agenda comum para o oceano. Uma agenda baseada em conhecimento, em inovação, em sustentabilidade e em cooperação europeia, porque o futuro do oceano será também o futuro da Europa. E a Europa será mais forte se souber transformar a diversidade dos seus territórios numa força comum”, apontou.Rui Reis salientou que o oceano é visto pelos dois territórios como “um espaço de conhecimento, de inovação e de oportunidades económicas”, defendendo uma maior cooperação entre governos, universidades e empresas.“Os Açores têm uma posição absolutamente singular no Atlântico, uma extraordinária riqueza natural e científica e uma experiência única enquanto território insular e oceânico. A Catalunha dispõe de um ecossistema muito desenvolvido de ciência, tecnologia, inovação, indústria e atividade portuária, com Barcelona como uma das grandes portas marítimas do Mediterrâneo. Temos, portanto, experiências diferentes, mas complementares. E não devemos olhar para essa complementaridade como uma diferença, devemos transformá-la numa vantagem”, vincou.O fórum “Oceanos Inteligentes: Sustentabilidade, Tecnologia e Crescimento Económico” reúne em Angra do Heroísmo representantes das duas regiões.Entre os oradores dos Açores destacam-se os diretores regionais das Políticas Marítimas e da Ciência, Inovação e Desenvolvimento, a Universidade dos Açores, o Okeanos, a Blue Azores, o Terinov, o Nonagon, a Lotaçor, a Portos dos Açores e o Observatório dos Ecossistemas e Infraestruturas Digitais.A delegação da Catalunha integra a BlueNetCat, o Port de Barcelona, o Ports de la Generalitat, a Fundació Barcelona Capital Nàutica e a DETA – Disruptive & Emerging Technology Alliancee.Também o Centro Colaborativo da Década do Oceano das Nações Unidas para uma Economia Oceânica Sustentável está representado nesta iniciativa.