Açores devem ter “melhores de condições de atractibilidade” para travar despovoamento
16 de nov. de 2021, 12:19
— Lusa/AO Online
Em declarações aos
jornalistas, após uma reunião com o Conselho de Ilha das Flores,
realizada em Santa Cruz, o líder do executivo açoriano (PSD, CDS-PP,
PPM) reconheceu que o despovoamento é “uma preocupação” do Governo
Regional.“A demografia é um problema na
Europa ocidental e obviamente que tem uma preocupação muito acentuada
num arquipélago como os Açores onde a assimetria demográfica de cada
ilha na média regional é muito significativa”, afirmou.E
reforçou: “É um exercício que se faz no mínimo de uma década,
garantindo melhores condições de atractibilidade na vida de cada uma das
nossas ilhas”.José Manuel Bolieiro
salientou a importância de “promover um desenvolvimento sustentável” do
arquipélago, defendendo que a região não deve ter apenas a “capacidade
de captar” turistas.“Com a transição
digital que o mundo está a atravessar, temos de ter capacidade de não só
fixar os residentes, como atrair novos investidores e, porque não,
potenciar nómadas digitais” afirmou.Para
atrair população, o social-democrata disse ainda ser importante promover
uma “compensação remuneratória” para os residentes, lembrando que o
atual executivo já baixou a carga fiscal ao máximo permitido por lei.Na
ocasião, o presidente do Conselho de Ilha das Flores considerou que o
“problema do despovoamento é uma grande preocupação” da ilha.José
António Corvelo realçou a necessidade de “resolver questões”
relacionadas com as acessibilidades, os cuidados de saúde e a habitação
para atenuar a perda de população nas Flores.O
Conselho de Ilha das Flores e o Governo dos Açores estiveram reunidos
durante a noite de segunda-feira, por ocasião da visita estatutária do
executivo açoriano à ilha.Na sessão, José
Manuel Bolieiro disse que o radar meteorológico das Flores, cuja
aquisição foi anunciada pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera
em julho, vai ser instalado na zona do Morro Alto.Os
Açores registaram uma quebra de população residente de 4,1% desde 2011,
segundo os dados preliminares dos Censos 2021, com o concelho da
Madalena, na ilha do Pico, a ser o único a registar crescimento (4,7%).O
arquipélago tinha 246.772 habitantes em 2011 e perdeu 10.115 no espaço
de 10 anos, o equivalente a 4,1%, tendo agora 236.657 residentes.A região foi a quarta no país a perder mais população, a seguir ao Alentejo (6,9%), Madeira (6,2%) e Centro (4,3%).Os
decréscimos mais acentuados de população registaram-se nos concelhos de
Santa Cruz das Flores (11,7%), Nordeste, na ilha de São Miguel (11,4%),
e Corvo (10,2%), a mais pequena ilha dos Açores.