Açores devem estar na primeira linha da estratégia mundial do futuro

Hoje 09:18 — Filipe Torres

O antigo Presidente da República, Marcelo Rebelo Sousa, defende que os Açores devem estar na “primeira linha” da estratégia mundial do futuro. A afirmação foi feita no colóquio “A Autonomia Açoriana no Portugal Democrático: Balanço e Perspetivas”, no polo de Ponta Delgada da Universidade dos Açores (UAc).Para o antigo Presidente da República, a Região apresenta um papel fundamental ao nível geoestratégico. “Mas no novo ciclo estratégico global universal, os Açores têm que estar na primeira linha. Portugal tem que estar na primeira linha, a Europa tem que estar na primeira linha. Não se pode estar na terceira, quarta linha, porque se estiver na terceira, quarta linha, está desaproveitado (...) ficam os restos”, sublinha Marcelo Rebelo de Sousa.O antigo chefe de Estado reitera que os Açores têm hoje uma grande importância e só vão ter mais, se tiverem os instrumentos para a poderem ter. Marcelo Rebelo de Sousa sublinha que os Açores não devem ser vistos como uma região periférica, mas como um “território central”.“[Os Açores], no mundo que existe, não são periféricos, são centrais. Olhem para o mundo e vejam o que se passa no mundo”, afirma o antigo Presidente da República, sublinhando a importância da Região na ciência, na tecnologia, nos conflitos, na gestão dos conflitos.O ex-chefe de Estado refere as reuniões e cimeiras internacionais realizadas nos Açores, bem como a localização dos Açores no Atlântico para a segurança, defesa e política internacional. Para Marcelo Rebelo de Sousa,  o balanço dos últimos 50 anos da autonomia da Região Autónoma dos Açores é “muito positivo”. O antigo Presidente da República reconhece que o processo da autonomia foi difícil e marcado por conflitos, avanços e recuos. Ainda assim, defende que a Constituição de 1976 foi fundamental para estabelecer a autonomia regional, a construção do sistema autonómico exigiu compromissos políticos, as revisões constitucionais permitiram adaptar as instituições autonómicas à evolução da sociedade e que nem todas as expectativas foram concretizadas.O orador afirma que a definição do quadro financeiro é um “desafio brutal, constante e acrescido”, assim como os desafios da economia.  “O continente europeu atrasou-se em matéria de ciência e tecnologia. Quer dizer que todos no continente europeu se atrasaram e têm de recuperar. E para uma estratégia de futuro, a recuperação é premente.  O caminho está definido, mas é preciso uma conjugação de esforços para acelerar”, realça o antigo Presidente da República.Marcelo considera que a Região deve aproveitar as oportunidades proporcionadas pelas transformações mundiais. Além disso, reitera que é necessário criar condições para que a autonomia se traduza em benefícios concretos para a população.Marcelo “está disponível” para ajudar alunos da RegiãoO antigo Presidente da República sublinha que a educação é uma prioridade, referindo a importância de investir nesta vertente para os jovens. Marcelo Rebelo de Sousa afirma que o ensino básico e o ensino secundário devem receber uma atenção especial, pois as  escolhas que influenciam o futuro profissional começam ainda antes da entrada na universidade.Para o antigo chefe de Estado, as escolas precisam de uma boa liderança, organização e gestão. “Este é o momento em que estamos. E é bom ser numa universidade e com os jovens. Para os jovens perceberem que ou apanham esta carruagem ou perdem uma oportunidade histórica. Perde a comunidade toda se não aproveitarmos este momento”, refere.Atualmente, Marcelo Rebelo de Sousa já desenvolve esse trabalho em Portugal Continental, em conjunto com o Ministério da Educação, através da Rede de Bibliotecas da Educação. O antigo Presidente da República refere que promove, por iniciativa própria, atividades relacionadas com a vocação dos jovens, ajudando-os a descobrir os seus interesses e caminhos para o futuro.Já à margem do evento, questionado pelos jornalistas se estaria disponível para ir às escolas da Região para trabalhar com os jovens, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que “está disponível”, mas refere que os Açores têm um sistema autonómico e que teria de ser articulado com a Secretaria Regional da Educação.Açorianidade está marcada na sociedade da RegiãoMarcelo Rebelo de Sousa considerou que a açorianidade é uma identidade cultural, histórica e social muito forte, que distingue os Açores do resto de Portugal. Refere que o povo açoriano tem uma grande influência da cultura católica, sobretudo a devoção ao Espírito Santo, que considera uma característica marcante dos Açores e um elemento de ligação entre os açorianos que vivem nas ilhas e os emigrantes.  “Por outro lado, a visão católica e depois completada pela liberal, aponta para a universalidade. Para nós portugueses, todos nós temos esse traço universalidade. Mas açorianos têm mais, porque a cultura do Espírito Santo é uma cultura universal e faz parte da sua essência teológica”, afirma.O antigo Presidente da República sublinha ainda que a literatura e a filosofia açoriana têm “uma grande densidade”, sobretudo devido à sua história, cultura e experiência particular da população da Região.