Açores defendem redução do preço dos direitos de autor para proteger festas populares
8 de jul. de 2025, 17:55
— Lusa/AO Online
A iniciativa “Alteração ao
Código do Direito de Autor dos Direitos Conexos”, que vai seguir agora
para a Assembleia da República, onde vai ser apreciada e votada, recebeu
os votos a favor do PSD (23), Chega (cinco), CDS-PP (dois) e PPM (um),
as abstenções de PS (23) e PAN (um) e contra do BE (um).Na
apresentação do diploma, a deputada do Chega Olivéria Santos alertou
para a importância de se “proteger as tradições açorianas”, defendendo
que as festas religiosas e populares só devem pagar 10% do valor
previsto para aquelas taxas porque a lei “não pode tratar todos por
igual”.“É vergonhoso ver os valores que
são despendidos a quem organiza essas festas em matéria de direitos de
autor. Estamos a falar de festas populares que vivem da vontade do povo,
a maioria realizada com parcos recursos”, afirmou a deputada durante o
plenário da Assembleia Regional, na Horta.Já
o líder do Chega/Açores, José Pacheco, classificou o pagamento daquelas
licenças como um “roubo” e um “escândalo”, propondo a extinção da
Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e Audiogest.A
socialista Marta Matos considerou que a iniciativa, caso venha a ser
implementada, pode levar os autores a “aumentar o valor a cobrar para
compensar a redução” do preço e avisou para os impactos nos rendimentos
de quem vive da cultura.“Essa iniciativa
esquece por completo aqueles que estão do outro lado da equação. Aqueles
que criam, produzem, os que vivem da cultura. Corta-lhes o direito de
ter uma remuneração justa”, atirou.Já
Joaquim Machado (PSD) sinalizou que a iniciativa do Chega “acaba com a
discricionariedade” e acusou o PS de “ficar em cima do muro para ficar
mais perto dos dois lados”.O
social-democrata destacou, também, que as tabelas de preços daquelas
licenças foram desenhadas de forma a “proteger os maiores”.Catarina
Cabeceiras (CDS-PP) sublinhou a necessidade de “manter as tradições” da
região, enquanto Pedro Neves (PAN) disse ser a favor das intenções do
Chega, mas apontou lacunas ao diploma.Por
sua vez, o bloquista António Lima, o único que votou contra, afirmou que
o “desconto de 90%” proposto pelo diploma “fere a liberdade contratual
do próprio autor”.O direito de autor
confere aos titulares de "criações intelectuais do domínio literário,
científico e artístico o direito exclusivo de dispor da sua obra e
utilizá-la, ou autorizar a sua utilização por parte de terceiros, total
ou parcialmente", de acordo com a página da Inspeção-Geral das
Atividades Culturais.