Açores defendem "aperfeiçoamento" do Acordo de Cooperação entre Portugal e EUA

18 de set. de 2025, 16:47 — Lusa/AO Online

 “Há espaço para o aprofundamento da relação entre Portugal e os Estados Unidos, aperfeiçoando os instrumentos desse relacionamento, como o é o Acordo de Cooperação e Defesa, e (…) os Açores são determinantes na obtenção dos melhores resultados”, defendeu José Manuel Bolieiro.O líder do executivo regional falava na abertura da Conferência Internacional das Lajes, na Praia da Vitória, na ilha Terceira, promovida pela Fundação Luso-Americana Para o Desenvolvimento (FLAD).Em 1995, Portugal e os EUA assinaram, em Lisboa, o Acordo de Cooperação e Defesa, que inclui o acordo técnico que regulamenta a utilização da Base das Lajes e outras instalações militares portuguesas, e o acordo laboral, que regula a contratação de trabalhadores nacionais na base açoriana.O presidente do Governo dos Açores lembrou a importância geoestratégica do arquipélago para alertar o Estado que é “impossível criar condições” de segurança sem existir “respeito pela ação” dos órgãos de governo da região autónoma.“Sem o entendimento do que efetivamente deve ser a construção de Portugal nas regiões autónomas, e sem o respeito pela ação dos seus órgãos de governo próprio, é impossível criar condições de estabelecimento de uma política de segurança na parte do território nacional mais sensível a essa matéria, que são os Açores”, afirmou.Bolieiro reconheceu que a soberania do Estado é “assegurada pelo Governo da República em todo o território nacional”, mas alertou que os Açores “não se demitem das suas responsabilidades”.O presidente do Governo Regional salientou a necessidade de “assegurar que o princípio da subsidiariedade é cumprido na relação entre o Estado e as regiões autónomas” e destacou a importância geoestratégica dos Açores no domínio do Espaço, oceano e ligações digitais.“Aspiramos pelo reconhecimento de que o desenvolvimento económico e social dos Açores se integre no objetivo de um entendimento reforçado de parceria no Atlântico. Para isso, precisamos primeiro de contar com o Governo de Portugal”, reforçou.Na sessão, o presidente da FLAD sinalizou a importância de Portugal e os Estados Unidos continuarem a fazer um “caminho conjunto” com “confiança e tranquilidade”, apesar da “instabilidade e incerteza na ordem internacional”.Nuno Morais Sarmento considerou que a “história de cooperação, partilha e desenvolvimento” da Base das Lajes permite projetar com “confiança” o “futuro” da relação entre os dois países e defendeu que o oceano deve ser a “prioridade estratégica” de Portugal.“É no oceano que Portugal tem a maior vantagem competitiva e a possibilidade de encontrar um desígnio para o país do ponto vista económico, mas também científico, de segurança e defesa”, advogou.Já a presidente da Câmara da Praia da Vitória evocou a importância da Base das Lajes, que “não é apenas um marco geográfico e militar”, é antes um “elemento estruturante da identidade” do concelho.“A Praia da Vitória aprendeu a ser mais cosmopolita, mais tolerante e mais consciente da sua posição geoestratégica no Atlântico e, do ponto vista económico, a Base das Lajes continua a representar uma âncora vital”, afirmou Vânia Ferreira.A conferência decorre esta quinta-feira e sexta-feira com o tema “Açores, do Oceano ao Espaço”, integrada nos 40 anos da FLAD.