Açores dão a volta ao PISA e aproximam-se da média nacional
Hoje 09:21
— Daniela Arruda
Os Açores foram contra a tendência: enquanto os resultados dos alunos portugueses desceram entre 2022 e 2025, os alunos açorianos melhoraram nas três áreas principais avaliadas pelo PISA - Programme for International Student Assessment. Contudo, apesar da melhoria, a Região continua abaixo dos resultados nacionais e da média da OCDE.Nas Ciências, a subida foi expressiva, os Açores passaram de 417 para 461 pontos. Mas também houve progressos na Matemática e na Leitura, com a Região a chegar aos 440 pontos nas duas áreas.A região está a recuperar?Em 2022, a diferença para a média nacional era maior, mas três anos depois parece que a distância ficou mais curta. Nas Ciências, por exemplo, a diferença entre os Açores e a média nacional passou de 67 para 21 pontos; na Matemática, caiu de 64 para 20; e na Leitura, de 64 para 22.O relatório mais recente do PISA referente a 2025, divulgado ontem, mostra também que nos Açores a tendência foi de uma subida, enquanto a média nacional foi de descida. As áreas de Matemática e Leitura registaram descidas maiores, enquanto as Ciências mantiveram-se relativamente estáveis.Portanto, a região parece recuperar num cenário em que a média nacional de desempenho recuou. Madeira está à frenteA Região Autónoma da Madeira já tinha resultados melhores em 2022 e em 2025 e, apesar de também ter descido, a verdade é que não foi o suficiente para deixar de estar acima da média nacional.Em 2025, os alunos madeirenses tiveram resultados mais altos do que os açorianos nas três áreas principais avaliadas pelo PISA. Nas Ciências, a Madeira registou 490 pontos, contra os 461 nos Açores; na Matemática, foram 465 contra 440; e na Leitura, também 465 contra 440.A Madeira destacou-se ainda numa das novas áreas avaliadas pelo PISA 2025, que diz respeito à resolução computacional de problemas. Enquanto os Açores se ficaram pelos 486 pontos, a Madeira conseguiu conquistar 514.O que explica a subida?Os dados disponíveis no relatório não são capazes de explicar o que influenciou a subida das médias na Região. Por isso, não é possível indicar medidas, reformas, programas ou investimentos em específico que tenham servido para melhorar os resultados.Relativamente à amostra, nota-se que houve uma mudança na dimensão, mas continuou a ser aleatória: em 2022, participaram três escolas e 80 alunos dos Açores; em 2025, foram seis escolas e 149 alunos.Contexto social influencia É certo que nem todos os alunos têm o mesmo ponto de partida e essa é outra peça importante para perceber os resultados. As condições em que uma criança ou um jovem cresce têm relação com o seu desempenho escolar, nem tudo depende só do esforço individual. E o PISA mede essa realidade através de um indicador que tem em conta, entre outros fatores, a escolaridade e a profissão dos pais, bem como os recursos disponíveis em casa. Em Portugal, a diferença nota-se especialmente na Matemática: os alunos que vivem em contextos socioeconómicos mais favorecidos tiveram, em média, resultados muito superiores aos dos alunos que vivem em contextos socioeconómicos mais desfavorecidos. A diferença chega quase a ser de 100 pontos. O PISA revela um dado que mostra esta desigualdade na prática: entre os alunos de contextos mais vulneráveis, 53,2% destes tiveram resultados abaixo do nível dois em Matemática, enquanto entre os mais favorecidos essa percentagem foi de 14,4%. Portanto, o contexto familiar não é só um detalhe, está associado às oportunidades que cada aluno tem para aprender e consequentemente aos resultados. Mas há exceções, o PISA identificou alunos que, apesar de viverem em contextos vulneráveis, conseguiram resultados elevados. Em Portugal, quase um em cada dez alunos oriundos de contextos menos favorecidos conseguiu esse desempenho de topo a Matemática.São os chamados alunos academicamente resilientes: jovens que conseguem contrariar, pelo menos em parte, as dificuldades associadas ao contexto.