Açores criam laboratório para modernizar e reformar a administração pública

Hoje 10:27 — Lusa/AO Online

“Este é um projeto de inovação, modernização e reforma da administração pública da Região Autónoma dos Açores. É um espaço que visa criar, inovar e fazê-lo também com a participação, com o método de inovação, muitas vezes parecendo que se está a brincar, porque se está a monitorizar o estado da arte, com sentido crítico e com alguma ousadia para o reformar, através da sua modernização”, disse aos jornalistas o presidente do Governo Regional.José Manuel Bolieiro falava à margem da inauguração da sede do Incuba Açores, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.O edifico, que já pertencia à região, foi reabilitado e equipado, num investimento de 3 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).Dividido por três andares, o espaço vai acolher, a tempo inteiro, 30 funcionários da Estrutura de Missão de Modernização e Reforma da Administração Pública, dos serviços das Tecnologias de Informação e Comunicações e da Estrutura de Missão para o Acompanhamento da Execução do PRR-Açores.Há, no entanto, um andar com espaços que serão utilizados para formações ou como locais de trabalho temporários para funcionários públicos deslocados de outras ilhas.O presidente do Governo Regional disse que o Incuba Açores pretende desmaterializar processos, monitorizar resultados e reorganizar a administração pública.“Através dos seus projetos de ‘co-working’, de co-criação, de inovação, de teste de laboratório, podemos, com certeza, também redesenhar os serviços da administração regional para o tornar mais eficiente”, salientou.José Manuel Bolieiro considerou mesmo que o projeto, dirigido à administração pública regional, pode inspirar a administração local e a administração central.Ainda que a sede só tenha sido inaugurada hoje, a Estrutura de Missão de Modernização e Reforma da Administração Pública foi criada em 2022.“Já fizemos, de 2022 até 2025, 19 projetos. Tivemos 700 trabalhadores em formação, 7.600 abrangências de participantes em geral neste processo. Portanto, há muito trabalho feito, o que nos deu confiança do sucesso deste projeto e agora do caminho que daqui para a frente dará”, vincou o chefe do executivo açoriano.Segundo a coordenadora da Estrutura de Missão de Modernização e Reforma da Administração Pública e do Incuba Açores, Ana Laranjeira, o objetivo da equipa é “estimular a inovação e promover a criatividade”, procurando envolver também os utilizadores dos serviços para torná-los mais fáceis de utilizar.“Convidamos os cidadãos para escolherem connosco quais são as soluções que têm de ser primeiro implementadas. Se é um caso de um serviço digital, as pessoas vêm aqui testar o serviço digital, o protótipo. O que é que isso permite? Permite corrigir situações que não estão bem desenhadas”, explicou.Um exemplo recente, que envolveu a utilização de legos e “design thinking”, foi o processo de simplificação das candidaturas ao sistema de incentivos Construir 2030 para Pequenos Negócios.“Convidámos câmaras de comércio, consultores, a própria equipa da Direção Regional [do Empreendedorismo e Competitividade]… Sentámos todos na mesma mesa, com as várias mesas, com os legos, com o ‘design thinking’, trabalhámos possíveis soluções e daí resultou, de facto, uma eliminação de documentos que eram exigidos na fase de candidatura e hoje eles conseguem mais facilmente analisá-los e mais facilmente dar despacho a um processo de candidatura”, revelou a coordenadora.