Açores criam grupo de trabalho para monitorizar impacto económico
Covid-19
11 de mar. de 2020, 16:46
— Lusa/AO Online
Após
uma reunião em Ponta Delgada, na qual se fez acompanhar pela secretária
regional da Energia, Ambiente e Turismo, Marta Guerreiro, e por com
responsáveis locais das associações representativas do setor económico,
Sérgio Ávila declarou aos jornalistas que “foi consensual criar um grupo
de trabalho que irá reunir semanalmente, com representantes das
empresas dos vários setores e da administração regional”.De
acordo com o governante, este grupo vai “permanentemente avaliar a
evolução da situação e monitorizar aquilo que deve ser o conjunto de
políticas públicas, no sentido de apoiar e minimizar os efeitos na
componente económica” face aos impactos do surto de Covid-19.O
grupo de trabalho integra três elementos da administração regional
ligados ao apoio à competitividade e investimento, ao emprego e ao
turismo, além de representantes da Câmara do Comércio e Indústria dos
Açores, da Associação da Hotelaria de Portugal e Associação de Turismo
dos Açores.Sérgio Ávila quer combater o
“empolamento das situações” e “criar todas as condições para minimizar e
anular estes efeitos, e retomar, quando possível, a normalidade da
própria atividade económica”.O
vice-presidente anunciou que há medidas nacionais que vão ser adaptadas
pelo Governo Regional aos Açores e um conjunto de outras, específicas,
que podem vir a ser adotadas na sequência da monitorização semanal da
situação.Para Sérgio Ávila, seria "uma
irresponsabilidade de todas as partes, no processo que se inicia agora,
estar, já nesta fase, a definir um conjunto de medidas para uma situação
que evoluiu diariamente”.O presidente da
Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Mário Fortuna, também
em declarações aos jornalistas, considerou que “faz sentido criar o
grupo de trabalho para se informar relativamente ao que, de facto, está a
acontecer”.O líder dos empresários
declarou que “naturalmente a economia vai ressentir-se”, mas resta saber
“se no prazo de um mês, dois, três, seis meses”, sustentando que a
economia açoriana pode necessitar de “algumas medidas complementares às
nacionais”.O delegado nos Açores da
Associação da Hotelaria de Portugal estimou na terça-feira quebras
“superiores a 50%” na Páscoa, em termos comparativos com 2019,
defendendo a adoção de medidas, tal como o líder dos empresários.Fernando
Neves, em declarações à agência Lusa, disse que não prevê que o verão
“seja melhor”, considerando que se está a sentir “os efeitos negativos”
do surto de Covid-19, algo que, com base no ‘feedback’ dos empresários
do setor, “se está a agravar”.Para
Fernando Neves, as consequências económicas vão ser “extremamente
penalizadoras”, sendo que, nos Açores, as taxas de ocupação hoteleira
“já são muito baixas”, estimando-se “quebras superiores a 50%”na Páscoa,
em termos comparativos com 2019, não prevendo que o verão seja melhor”.Mário
Fortuna, também em declarações à agência Lusa, afirmou que “é
consensual que o impacto desta crise vai ser significativo”, o que “vai
exigir que sejam adotadas medidas” como está a acontecer no continente e
na Europa.Para o dirigente empresarial, a
adoção de uma linha de crédito, como aconteceu a nível nacional,
“configura-se como pouco para a dimensão que se avizinha”, sendo
necessário “seguramente mais apoios e intervenções” num problema que
“não se sabe quando vai acabar ou dar a volta”. O
número de casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus subiu para
59 em Portugal, mais 18 do que os contabilizados na terça-feira,
anunciou hoje a Direção-Geral da Saúde (DGS).Este é o maior aumento diário de pessoas infetadas desde o início da epidemia.De
acordo com o boletim sobre a situação epidemiológica em Portugal,
divulgado hoje com dados atualizados às 00:00, há 83 casos que aguardam
resultado laboratorial. No total, desde o início da epidemia,
registaram-se 471 casos suspeitos.A
epidemia de Covid-19 foi detetada em dezembro, na China, e até ao
momento cerca de 114 mil pessoas de mais de cem países foram infetadas,
mas a maioria (mais de 63 mil) já recuperou.O novo coronavírus provocou até ao momento mais de quatro mil mortos.Nos últimos dias, a Itália tornou-se o caso mais grave de epidemia fora da China, estando neste momento em quarentena.