Açores criam apoio à natalidade de 1500 euros em concelhos com perda populacional
12 de out. de 2022, 15:36
— Lusa/AO Online
“O apoio financeiro traduz-se
na disponibilização de um ‘plafond’ de 1 500 euros a utilizar em
qualquer farmácia da região, para a aquisição de um conjunto de produtos
e bens destinados à promoção do bem-estar da criança”, explicou o
vice-presidente do Governo, Artur Lima, durante a leitura do comunicado
do Conselho de Governo, que se reuniu na ilha do Pico.Segundo
o governante, esta medida, que resulta de uma reivindicação do Chega,
um dos partidos que garante apoio parlamentar ao Governo de coligação
PSD, CDS-PP e PPM, terá efeitos retroativos a 01 de janeiro de 2022.“Esta
medida, totalmente desmaterializada e desburocratizada, resulta da
necessidade de fazer face aos impactos negativos que se fazem sentir no
desenvolvimento económico e social das diferentes ilhas, resultante do
acentuado envelhecimento demográfico e do despovoamento”, adiantou o
vice-presidente do executivo.O apoio à
natalidade anunciado terá efeitos apenas nos 12 concelhos dos
Açores que apresentaram uma quebra populacional acima dos 5%, de acordo
com os Censos, como é o caso de Nordeste, Povoação e Vila Franca do
Campo (São Miguel), Praia da Vitória (Terceira), Santa Cruz da Graciosa,
Calheta e Velas (São Jorge), Lajes do Pico e São Roque (Pico), Lajes
das Flores e Santa Cruz (Flores) e o Corvo.O
executivo presidido pelo social-democrata José Manuel Bolieiro tem
reservada, para a aplicação do programa “Nascer Mais”, uma verba de 1,2
milhões de euros para suportar os encargos associados à sua execução.“Em
breve será publicada a sua regulamentação, onde constarão os
procedimentos de candidatura a adotar, prevendo-se também a celebração
do protocolo de cooperação com a entidade executante e a entidade
gestora”, adiantou Artur Lima.A proposta
agora apresentada pelo Governo Regional corresponde a uma das
reivindicações feitas pelo deputado do Chega, José Pacheco, que fez
depender o seu voto favorável ao Plano e Orçamento para 2022 da criação
de um incentivo à natalidade nos Açores, exatamente no valor agora
anunciado.De acordo com os últimos Censos,
entre 2011 e 2021, a população residente nos Açores diminuiu em mais de
dez mil pessoas, passando de 246.772 habitantes para 236.440, o que
equivale a uma taxa de crescimento negativo de 4,2%.O
Conselho do Governo autorizou ainda a celebração de um contrato de
cooperação-valor investimento entre o Governo Regional e a ADI –
Associação para o Desenvolvimento Intergeracional, prevendo uma
comparticipação até 1,8 milhões de euros para “assegurar o financiamento
necessário à execução de obra de construção de creche em Santo António,
na freguesia de Santo António, concelho de Ponta Delgada, ilha de São
Miguel”.“Tal resulta da necessidade de
continuar a apoiar o desenvolvimento de atividades de apoio social,
através da criação e requalificação de equipamentos que se constituam
como respostas sociais de qualidade para apoio à infância, dando
seguimento a várias medidas do Governo dos Açores destinadas a apoiar as
famílias com crianças”, justifica o executivo no comunicado do Conselho
do Governo divulgado no portal oficial.O
executivo autorizou também as operações urbanísticas para a construção
de um “conjunto turístico - hotel e apartamentos, ambos de quatro
estrelas, na freguesia de São Roque, Ponta Delgada, com uma capacidade
prevista de 124 novas camas”.Foi ainda
declarada a “utilidade pública, com caráter de urgência, da expropriação
das parcelas de terreno” necessárias “construção da ligação entre a
Estrada Regional n.º 3-2.ª e a Estrada Regional n.º 4-2.ª, na ilha da
Graciosa”.O Governo criou, também, a
medida QUALIFICA.IN, que prevê “os apoios a atribuir no âmbito da
formação setorial à medida”, inserida no Plano de Recuperação e
Resiliência (PRR). A medida visa
“qualificar a população ativa, contribuindo para o desenvolvimento das
suas competências básicas e/ou específicas e promover a sua manutenção
e/ou inserção, ou reinserção, no mercado de trabalho”.Outros
objetivos são “aumentar a qualidade e a produtividade da população
ativa, promover a melhoria do seu desempenho profissional e proporcionar
uma oferta de percursos de qualificação que atendam às transformações
tecnológicas, organizacionais, económicas e legais”.Isto,
“através de programas de formação e de qualificação intensivos
adequados às especificidades inerentes a cada setor de atividade
económica”.Foi ainda aprovado pelo Governo o regulamento da atribuição do Apoio Regional à Frequência de Estágios Curriculares.