Açores concluem roteiro para a neutralidade carbónica até 2023
8 de nov. de 2022, 16:55
— Lusa/AO Online
“Pela
nossa condição arquipelágica e ultraperiférica e também pela dispersão
das nossas ilhas – temos transporte interilhas – teremos sempre
constrangimentos adicionais em relação a quem tem continuidade
territorial efetiva. É preciso termos em atenção que estes
constrangimentos tornam a nossa missão ainda mais desafiante para a
neutralidade carbónica”, adiantou o titular da pasta do Ambiente e
Alterações Climáticas nos Açores, Alonso Miguel.O
governante falava, no polo de Angra do Heroísmo da Universidade dos
Açores, à margem da sessão de lançamento do Roteiro para a Neutralidade
Carbónica dos Açores, que representa um investimento de um milhão de
euros, financiado na totalidade por fundos comunitários do React-EU.Alonso
Miguel admitiu que a região ainda está longe das metas definidas, mas
salientou que o roteiro, que estará concluído até 2023, vai definir uma
estratégia e medidas de mitigação, adaptadas às características
específicas dos Açores.“De acordo com os
dados disponíveis, que reportam a 2020, temos neste momento 1,7
megatoneladas de dióxido de carbono equivalente, ou seja, estamos, de
facto, muito distantes deste objetivo de neutralidade carbónica, mas a
expectativa que temos com o lançamento deste roteiro é dar o mote, ser a
casa de partida para uma mudança de paradigma”, apontou.O
secretário regional do Ambiente identificou os transportes e a produção
de energia como os setores com “maior impacto” na emissão de gases com
efeitos de estufa nos Açores, “seguidos pela agricultura e agropecuária e
pela produção de resíduos”.“Nós vivemos
no meio do oceano, importamos grande parte dos produtos e bens que
consumimos e isso gera aumento de emissões associado ao setor dos
transportes”, afirmou.Segundo Alonso
Miguel, as medidas a implementar podem passar pela criação de
“instrumentos fiscais para a neutralidade carbónica”, por “ações
práticas territoriais e setoriais” que permitam a redução da emissão de
gases com efeitos estufa ou pela definição de “novos ‘clusters’ de
competitividade neste setor”.Catarina
Vazão, da consultora Get2C, que lidera o consórcio que vai criar o
roteiro, em que participa também a Universidade dos Açores, defendeu a
necessidade de se encontrarem soluções e opções de descarbonização
“ajustáveis à realidade de cada uma das ilhas”, mas considerou que os
Açores “estão no bom caminho para alcançar a neutralidade carbónica”.A
dispersão geográfica é um dos desafios identificados pela consultora,
porque dificulta “a produção e distribuição de energia renovável” e cria
uma maior dependência do transporte marítimo e aéreo.“A questão da mobilidade tem um peso muito significativo em muito particular na Região Autónoma dos Açores”, alertou.Catarina
Vazão destacou ainda o “contributo muito relevante para o PIB [Produto
Interno Bruto] da região” do setor agropecuário, alegando que “é também
um setor com um contributo muito especial para as emissões de gases com
efeito de estufa”.A vogal da Agência
Portuguesa do Ambiente Ana Teresa Perez considerou, no entanto, que o
arquipélago pode ter maior facilidade na implementação de algumas
medidas.“As ilhas têm condições
privilegiadas e podem inclusive ser um exemplo de sucesso em termos
daquilo que são os nossos esforços de descarbonização e para atingir a
neutralidade”, salientou.Ana Teresa Perez
deu como exemplos a produção de energia renovável, alegando que há
“projetos muito interessantes” na ilha Graciosa, e a utilização de
carros elétricos.“A tecnologia tem vindo a
evoluir e questões que se colocavam de início, como a autonomia,
começam a deixar de ser um problema, mas, ainda assim, num território
insular é muito mais fácil adotar esse tipo de solução do que no
continente”, explicou.