Açores com número recorde de utentes em lista de espera cirúrgica em julho
Hoje 16:54
— Lusa/AO Online
“Em
julho de 2026 aguardavam em LIC [lista de espera cirúrgica] um total de
13.945 utentes”, lê-se no boletim informativo mensal da Unidade Central
de Gestão de Inscritos para Cirurgia dos Açores, publicado hoje na
página da Direção Regional da Saúde.É o valor mais elevado desde que há registos disponíveis na página da Direção Regional da Saúde (2017).Face
ao mês anterior, houve um aumento de 1,7% (mais 227 utentes), mas em
comparação com o período homólogo a subida é de 8,3% (mais 1.070
utentes).Desde maio de 2023 que o número de pessoas a aguardar por uma cirurgia nos Açores é superior ao registado no período homólogo.A
secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica
Seidi, destacou, no entanto, em comunicado, o aumento da produção
cirúrgica e do número de consultas, sessões de hospital de dia e exames,
no primeiro semestre do ano.“Não tenho
dúvidas de que estamos a melhorar a acessibilidade aos cuidados de
saúde. Mais consultas permitem realizar mais exames, mais exames
permitem chegar a mais diagnósticos e mais diagnósticos traduzem-se
também em novas propostas cirúrgicas”, afirmou a titular da pasta da
Saúde.Os números das listas de espera
cirúrgicas nos Açores não eram atualizados desde maio, mês em que foi
divulgado o boletim informativo relativo a março.Também em abril, maio e junho, os boletins, agora publicados, indicam um aumento das listas de espera face a 2025.No
final de julho, o Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta
Delgada, tinha 9.223 utentes a aguardar por uma cirurgia, o número mais
alto dos três hospitais da região.Afetado
por um incêndio em maio de 2024, o maior hospital dos Açores, localizado
na ilha de São Miguel, apresentou a maior subida homóloga da lista de
espera cirúrgica, contabilizando mais 806 doentes inscritos (9,6%) do
que em julho de 2025.Com 3.283 pessoas a
aguardar por cirurgia, o Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira
(HSEIT) aumentou a lista de espera em 250 utentes (8,2%), enquanto o
Hospital da Horta (HH), na ilha do Faial, apresentava 1.439 utentes
inscritos, mais 14 (1%) do que em julho de 2025.Em
comparação com junho, o HDES foi, no entanto, o hospital que aumentou
menos a lista de espera (0,8%), seguindo-se o HH (2,5%) e o HSEIT
(3,7%).Há utentes a aguardar por mais do que uma cirurgia, por isso o número de propostas cirúrgicas em lista de espera é superior.No final de julho, atingia 15.356, mais 1,3% do que em junho e mais 7,6% do que no período homólogo.Segundo
o boletim, neste mês foram realizadas 713 cirurgias, nos três
hospitais, mais 89 (14,3%) do que em junho, mas menos 63 (8,1%) do que
em julho de 2025.Segundo a Secretaria
Regional da Saúde, o boletim apresenta apenas os números da produção
acrescida, no âmbito do programa CIRURGE, não contabilizando as
cirurgias realizadas no período normal nos hospitais.Em
comunicado, a tutela salientou que o Hospital do Divino Espírito Santo
realizou mais 200 cirurgias (10%) no primeiro semestre do ano, face ao
período homólogo.“Este aumento foi
possibilitado, entre outros fatores, pela utilização regular de uma
quinta sala do bloco operatório, passando de quatro para cinco salas em
funcionamento, na sequência do reforço da disponibilidade de recursos
humanos, nomeadamente na área da anestesiologia”, justificou.No
final de julho, os açorianos aguardavam, em média, 498 dias (mais de um
ano e quatro meses) por uma cirurgia, mais 38 dias do que no mesmo mês
em 2025.No hospital de Ponta Delgada, o
tempo médio de espera atingia 547 dias (mais 47), no da ilha Terceira
397 dias (menos 15) e no da Horta 415 dias (mais 76).Nas
três unidades de saúde, o tempo médio de espera estava acima dos tempos
máximos de resposta garantidos (TMRG) regulamentados, que preveem que
uma cirurgia com prioridade normal seja realizada no máximo em 270 dias.Das
cirurgias realizadas em julho nos Açores, 57,2% ocorreu dentro
dos TMRG, mais 4,2 pontos percentuais do que no período homólogo (53%).Neste
mês, deram entrada nos três hospitais da região 1.151 novas propostas
cirúrgicas, mais 153 (15,3%) do que em junho e mais 33 (3%) do que em
julho de 2025.Verificaram-se ainda 276
cancelamentos de cirurgias, o que representou um aumento de 44,5% em
relação ao mês anterior e de 38% face ao período homólogo.A
titular da pasta da Saúde alega que o aumento de propostas
cirúrgicas inscritas reflete o aumento do acesso a consultas e exames.Segundo
Mónica Seidi, no primeiro semestre de 2026 foram realizadas 166.945
consultas médicas hospitalares, mais 3,81% do que no período homólogo.No mesmo período, foram realizados 2.521.923 exames e tratamentos (mais 3,4%) e 46.698 sessões de hospital de dia (mais 3,7%).“Precisamos
de continuar a reforçar os recursos humanos e a trabalhar com os três
hospitais para maximizar a utilização dos blocos operatórios e aumentar a
capacidade cirúrgica”, sublinhou a governante.