Açores com mais de 1900 condenações por atos contra animais em cinco anos
17 de abr. de 2025, 09:02
— Carolina Moreira
O Governo Regional revelou esta semana que, nos últimos cinco anos,
foram instaurados 2729 processos de contraordenação nos Açores devido a
“indícios da prática de atos ilícitos contra animais”, dos quais
resultaram 1904 condenações.Os dados foram divulgados em resposta a
um requerimento do PAN/Açores sobre a realização de ações de
fiscalização ao bem-estar animal na Região entre janeiro de 2020 e março
de 2025.Segundo o executivo, dos mais de 2700 processos de
contraordenação instaurados nos últimos cinco anos, foram proferidas
1904 decisões condenatórias, além de 648 se encontrarem em “fase de
instrução” e 177 terem sido arquivados por “inexistência de ilícito” e
“falta de indícios suficientes que fundamentem a prática da infração”.Em
resposta às questões do PAN, o Governo Regional avançou ainda que foram
detetadas várias não conformidades em Centros de Recolha Oficial (CRO) e
canis municipais do arquipélago na sequência dos “26 controlos
oficiais” realizados desde 2022, uma vez que nos anos de 2020 e 2021
estes não foram executados devido à pandemia.Segundo o executivo,
entre as não conformidades detetadas encontram-se situações de
“sobrelotação do CRO”; “ausência de água potável e eletricidade”;
“instalações sem drenagem de ‘águas sujas’”; e ausência de “coleira nos
canídeos esterilizados”, “celas semicirculares” e “camas para os
canídeos”.De acordo com o documento, em alguns casos também não
foram verificadas “campanhas de sensibilização para adoção responsável”,
“programas de esterilização devidamente atualizados”, “sistemas de
alerta e alarme de incêndio” ou mesmo “zonas individualizadas para
higienização”, apesar de o executivo realçar que “algumas já se
encontram corrigidas”.Questionado também sobre as explorações
agropecuárias, o Governo Regional revelou que, no âmbito do Plano de
Proteção Animal, foram realizadas nos últimos cinco anos 2263 ações de
fiscalização, que detetaram várias não conformidades. No documento, o
executivo enumera que algumas das não conformidades estão associadas a
“excesso de densidade animal”; “tipo de alimentação” e “qualidade da
água de bebida e alimento”; “falta de higiene dos alimentos, água e dos
próprios animais” e ainda nos “métodos reprodutivos” dos animais.Numa
reação aos dados divulgados pelo executivo, o deputado único do
PAN/Açores já demonstrou “preocupação” com o não cumprimento da
legislação que assegura o bem-estar animal. “Apesar de os mecanismos
para promoção do bem-estar animal estarem criados, ainda há muita
resistência em colocá-los em prática, sobretudo de forma interligada. É,
por isso, fundamental que a tutela seja proatividade e transparente nas
ações de fiscalização, especialmente para sensibilizar quem se
relaciona, diariamente, com os animais”, frisa Pedro Neves em nota de
imprensa.O deputado do PAN critica ainda o facto de, “em dois anos e
meio, apenas foram conduzidos 26 controlos oficiais” nos CRO e canis
municipais, o que representa “uma média de uma inspeção por ano por
estrutura”.Para Pedro Neves, este facto “compromete seriamente a
garantia das condições exigidas por lei para o bem-estar dos animais ali
albergados, sobretudo se consideradas as infrações detetadas”.No
comunicado, o PAN aborda ainda as questões colocadas ao executivo
regional sobre a atividade tauromáquica nos Açores, salientando que “o
Governo não realizou qualquer fiscalização, relegando responsabilidades à
PSP, GNR e municípios, ainda que a referida atividade envolva
competências tanto culturais, quanto agrícolas, que possuem entidades
com poder fiscalizatório”, lamenta.