Açores com capacidade para fazer centenas de testes por dia
Covid-19
24 de mar. de 2020, 10:40
— Lusa/AO Online
“Poderemos
ter nas próximas horas capacidade para fazer centenas de testes
diários. Dentro daquilo que tem sido o panorama habitual, andamos na
casa das dezenas e não chegamos a ultrapassar as três dezenas de casos
suspeitos por dia”, adiantou o responsável pela Autoridade de Saúde
Regional, Tiago Lopes, numa conferência de imprensa, em Angra do
Heroísmo.O arquipélago têm 12 casos
confirmados de covid-19 (sete em São Jorge, dois na Terceira, dois em
São Miguel e um no Faial), todos “clinicamente estáveis”, estando quatro
internados e os restantes em “contexto domiciliário”.Estão
ainda à espera de resultados laboratoriais ou da colheita de amostras
13 casos suspeitos, 11 na ilha de São Miguel e os restantes nas ilhas do
Pico e do Faial.O número de pessoas em
vigilância ativa atinge agora as 1.926 (mais 163 do que no domingo,
apesar de 10 já terem terminado o período de quarentena), em todas as
ilhas, sendo São Miguel (717), São Jorge (166) e Terceira (114) as que
têm maior expressão.Tiago Lopes ressalvou,
no entanto, que não existe até ao momento “transmissão local” nos
Açores, frisando que todas as pessoas “estiveram em contacto com o
exterior”.“As pessoas cada vez estão mais
despertas, estão mais alerta e mais colaborantes. A maior parte dos
casos que temos, podemos avançar que neste momento não temos essa
disseminação e propagação do vírus, porque muitos deles cumpriram esse
período de quarentena, resguardaram-se e restringiram a sua interação
social”, apontou.Uma unidade hoteleira na
ilha de São Miguel esteve em “confinamento obrigatório”, devido a uma
ligação a um caso positivo, mas as análises aos casos suspeitos
associados a este hotel “foram todas negativas”.“Não
houve qualquer ligação de transmissão direta por via deste caso
positivo detetado em São Miguel”, frisou o responsável pela Autoridade
de Saúde Regional.Tiago Lopes sublinhou
que a região utiliza critérios epidemiológicos “muito mais aprofundados”
do que os utilizados pela Direção-Geral da Saúde na definição dos casos
suspeitos e sujeitos a análises, lembrando que foram já mesmo
realizados testes laboratoriais a pessoas assintomáticas, na ilha de São
Jorge.“Temos por essa via um maior número
de testes. Isso é comprovado mesmo até em termos do rácio de testes
realizados na região, nos casos suspeitos existentes na região e até
relativamente aos casos de vigilância ativa”, sublinhou.Com
apenas um laboratório a funcionar neste momento, a região tem
“capacidade para fazer milhares de testes”, mas continua a reforçar o
material existente, segundo o responsável da Autoridade de Saúde
Regional.“Estamos sempre consecutivamente a
não deixar que os ‘stocks’ atinjam os mínimos para fazermos as
aquisições, porque nesta altura todos os países do mundo estão a fazer
aquisições adicionais de material e não queremos deixar ficar nos
mínimos dos ‘stocks’”, afirmou.Quanto às
unidades de saúde, Tiago Lopes admitiu que “haverá sempre alguma falta
de material”, alegando que há muitos países com solicitações idênticas,
mas garantiu que dentro da curva de evolução do surto na região, o
material existente “é suficiente para dar resposta”.