Açores com aumento da taxa de esforço no crédito à habitação em 2022
14 de nov. de 2024, 10:52
— Ana Carvalho Melo
O valor mediano da taxa de esforço do crédito para
habitação subiu para 13,4% nos Açores em 2022, revelou o Instituto
Nacional de Estatística (INE), o que mostra que mais mutuários estavam a
dedicar uma maior percentagem do seu rendimento mensal às prestações da
habitação em comparação com o ano anterior.De acordo com o INE, o
aumento no arquipélago do valor mediano da taxa de esforço com o crédito
para habitação permanente dos mutuários acompanhou a subida no resto do
país, onde o valor foi de 14,5%, registando-se um aumento de 1,7 pontos
percentuais (p.p.) em relação a 2021.“Note-se que o ano de 2022 foi
marcado por um contexto geopolítico e geoeconómico que se traduziu num
aumento da inflação e, consequentemente, na subida das taxas de juro,
nomeadamente das taxas de juro implícitas no crédito à habitação”,
realça o INE.Na análise global do país, o gabinete de estatística
realça que a taxa de esforço da habitação foi superior à referência
nacional em nove das 26 NUTS III do país, destacando o Algarve (16,5%) e
o Tâmega e Sousa (15,3%) por apresentarem valores acima dos 15%,
enquanto o Baixo Alentejo foi a sub-região que registou a menor taxa de
esforço do crédito para habitação permanente: 12,8%.Segundo o INE,
as taxas de esforço do crédito para habitação permanente têm como
população-alvo os mutuários residentes em Portugal com contratos de
crédito para aquisição ou construção de habitação própria permanente até
300 mil euros, com taxas de juro variável, celebrados com instituições
financeiras a operar em Portugal.Refira-se que a taxa de esforço é
um indicador financeiro que mostra quanto do rendimento mensal de uma
família ou indivíduo é usado para pagar o empréstimo da casa. Um em cada cinco açorianos com crédito habitaçãoAproximadamente um em cada cinco açorianos era mutuário com créditos para habitação permanente no ano de 2022. Segundo
o INE, em 2022, havia em Portugal 1.638.064 mutuários com créditos para
habitação permanente, o que representava 18,5% da população residente
com 18 ou mais anos em Portugal.O instituto de estatística realça
ainda que, a nível sub-regional, esta proporção era superior ao valor
nacional em oito das 26 NUTS III do país, destacando-se a Península de
Setúbal (24,1%) e a Região Autónoma dos Açores (20,4%) com os maiores
valores. Na caracterização dos mutuários por idades, o INE revela
que a taxa de esforço do crédito para habitação permanente nos Açores
sobe para os mutuários até aos 34 anos, atingindo 16,05%, sendo de
13,08% para o grupo etário dos 35 aos 64 anos e descendo para 11,95%
para quem tem 55 ou mais anos.Revela ainda que na globalidade do
país, em 2022, 23,7% dos mutuários com idade até aos 34 anos tinham pelo
menos um contrato de crédito à habitação celebrado nesse ano.Assim
como que o valor mediano da taxa de esforço do crédito para habitação
permanente dos mutuários com idade até aos 34 anos e com pelo menos um
contrato celebrado em 2022 era superior à taxa de esforço considerando
todos os mutuários desse escalão etário (19,0% e 17,2%, respetivamente).Refere
ainda que este padrão era comum a todas as regiões NUTS III do país,
tendo a Península de Setúbal registado a maior diferença (2,5 p.p.)
entre o valor mediano da taxa de esforço dos mutuários mais jovens com
pelo menos um contrato de crédito à habitação celebrado no ano e o da
taxa de esforço considerando todos os mutuários desse grupo etário
(19,8% e 17,4%, respetivamente).