Açores avisam que saúde está acima de interesses políticos na contaminação das Lajes
Hoje 18:19
— LUSA/AO Online
“Acima dos interesses de qualquer governo,
autarquia, capitães ou generais, está o interesse do meu povo, o povo da
Praia da Vitória, o povo da Terceira, o povo dos Açores. Tal como o
fomos no passado, continuaremos a ser exigentes com os governos da
República em prol da salvaguarda dos superiores interesses dos Açores”,
afirmou Artur Lima.O vice-presidente do
executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM) falava no plenário da Assembleia
Regional, na Horta, durante um debate de urgência solicitado pelo CDS-PP
sobre a situação ambiental dos solos e aquíferos da ilha Terceira.O
também líder do CDS-PP nos Açores alertou que a região não é um “mero
peão” na política externa do país e evocou a importância estratégica da
Base das Lajes, localizada na Praia da Vitória, ilha Terceira.“Não
somos um mero peão no jogo de política externa português. O valor
estratégico das Lajes sempre serviu mais os interesses de Portugal
peninsular do que dos Açores. E isso será sempre inaceitável”, reforçou.O
vice-presidente do Governo Regional lembrou que “durante mais de 15
anos foram feitos alertas” sobre a contaminação causada pelos Estados
Unidos que foram “prontamente abafados por alguns governantes regionais e
locais”.“Relatórios técnicos
acumulavam-se em gavetas, estudos norte-americanos alertaram e
diagnosticavam manchas de poluição na bacia hidrográfica da Praia da
Vitória, mas a resposta política regional e local era o manto do
silêncio, a desvalorização ou o adiamento pernicioso”, afirmou, numa
alusão ao PS que governou a região de 1996 a 2020 e a Câmara da Praia da
Vitória de 2005 a 2021.Artur Lima afirmou
que o “assunto da contaminação nunca mais deixou de estar na ordem do
dia” desde 2020, quando a coligação PSD/CDS-PP/PPM assumiu a governação
regional, lembrando que os Açores “têm estado representados ao mais alto
nível na Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados
Unidos da América”.“Sobre a
descontaminação, os Estados Unidos da América, que sempre encontrámos
como parceiros de primeira hora, demonstraram inicialmente uma postura
relutante, mas nos últimos tempos cooperante”, detalhou.Desde
2021, salientou, as autoridades americanas “passaram a assumir uma
postura mais premente de remediação ambiental”, com a promoção de
estudos técnicos para “apurar se existia risco proveniente da
contaminação dos aquíferos”.“Em 2022 dá-se
início à execução de trabalhos de esvaziamento, selagem ou remoção
física de oleodutos inativos, assim como a remoção efetiva dos solos
poluídos. Este é um trabalho efetivo. Este é o resultado do trabalho de
quem sempre defendeu os interesses do nosso povo”, vincou.Segundo
o Expresso, entre 2020 e 2022, os Estados Unidos não realizaram
trabalhos para remediar os danos ambientais na zona da Base das Lajes,
por entenderem que a contaminação de solos e aquíferos, não é
prejudicial à saúde.Uma investigação
noticiada pela agência Lusa em março de 2025 revelou que uma maior
concentração de metais pesados foi detetada na população da Praia da
Vitória, provavelmente devido à contaminação ambiental da Base das
Lajes, segundo a análise de esqueletos humanos.O
armazenamento e manuseamento de combustíveis e outros poluentes pela
Força Aérea norte-americana na base provocou no passado a contaminação
de solos e aquíferos na Praia da Vitória.Identificada
em 2005 pelos próprios norte-americanos, a contaminação foi confirmada,
em 2009, pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que
monitoriza desde 2012 o processo de descontaminação.