Açores aprovam regime de financiamento das associações humanitárias de bombeiros
15 de jan. de 2025, 18:34
— Lusa/AO Online
O
decreto legislativo regional foi aprovado durante o plenário do
parlamento açoriano, na Horta, com os votos a favor de PSD, CDS-PP, PPM,
PS, Chega, IL e BE e o voto contra do PAN.Na
apresentação do diploma, o secretário regional do Ambiente e Ação
Climática salientou a necessidade de existir um regime específico para
as associações humanitárias dos Açores, tal como acontece no continente.“O
regime de financiamento que agora se propõe pretende colmatar a
ausência de legislação específica neste domínio, procurando dar resposta
a diversos desafios e preencher lacunas que têm vindo a comprometer a
sustentabilidade financeira e operacional destas associações”, afirmou.Alonso
Miguel, que tutela o Serviço Regional de Proteção Civil, destacou o
objetivo de implementar um “modelo racional e transparente”, através da
criação de “mecanismos que garantam a estabilidade e previsibilidade
financeira” das instituições.Segundo
disse, o regime prevê “adiantamentos financeiros” e “subvenções
extraordinárias para responder a situações de excecionalidade”, além da
criação de um “novo instrumento de supervisão financeira” relacionado
como um “relatório único coordenado pela Federação de Bombeiros dos
Açores”.“Prevê-se que a atribuição dos
apoios financeiros seja determinada com base em critérios objetivos
considerando variáveis como a densidade populacional, riscos
identificados, casuística, competências operacionais e idiossincrasias
geográficas, relacionadas através de uma forma de cálculo”, declarou.No
debate, o deputado do PS José Ávila alertou para o “azedume instalado
na tutela política” quando confrontada com discordâncias por parte das
associações e afirmou que os bombeiros estão em dificuldades porque “não
estão a receber o valor justo pelos serviços que prestam”.Já
Flávio Soares (PSD) enalteceu o investimento de 46 milhões de euros nos
últimos quatro anos para a proteção civil, considerando que o modelo de
financiamento proposto “vai ao encontro das necessidades urgentes” das
associações.A parlamentar do Chega
Olivéria Santos defendeu que os bombeiros não podem “andar de mãos
estendidas” e adiantou que o partido pretende “converter a taxa
audiovisual num apoio aos bombeiros”.Pedro
Pinto (CDS-PP) destacou que o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) está a
“resolver muitos problemas antigos da região”, enquanto o liberal Nuno
Barata defendeu que o modelo é um “passo em frente, mas não é um passo
bastante”.O deputado do PAN Pedro Neves
acusou o executivo açoriano de se “aproveitar do estrangulamento
financeiro das associações” para “fazer dos bombeiros vassalos” e
António Lima (BE) alertou para a necessidade de as autarquias também
contribuírem para o financiamento dos serviços de proteção civil.