Açores aprovam novas regras para motores dos barcos de pesca da região
Hoje 17:23
— Lusa/AO Online
A alteração ao
Decreto Legislativo Regional n.º 29/2010/A, de 09 de novembro, que
regulamenta o exercício da pesca e da atividade marítima na pesca e
define medidas adequadas às especificidades do território marítimo dos
Açores, apresentado pelos partidos da coligação PSD, CDS-PP e PPM, foi
aprovada em votação final global com votos a favor de PSD (22), PS (21),
Chega (quatro), CDS-PP (dois), PPM (um), IL (um) e PAN (um) e com a
abstenção do BE (um).Na apresentação da
iniciativa, o deputado do PSD Carlos Freitas explicou que o objetivo é
permitir o ajuste técnico dos limites de potência e utilização de motor
auxiliar das embarcações de pesca açorianas.“Era
uma proposta que, se calhar, já há muito que devia ter sido trazida a
esta casa. […] Pensamos nós que vem resolver algumas situações,
principalmente no que concerne à segurança das tripulações”, afirmou.Segundo
Carlos Freitas, por imposição da lei, qualquer pescador que quisesse
alterar o motor da sua embarcação não o podia fazer, apenas sendo
permitido fazê-lo por um de potência igual ao instalado e, a partir de
agora, com a proposta de alteração hoje aprovada “já o pode fazer”.A
medida também permite legislar relativamente à autorização de
instalação de motores auxiliares para as embarcações que deles
necessitem.Durante o debate, o parlamentar
José Sousa (Chega) disse que a realidade marítima açoriana é exigente e
as condições do mar “tornam evidente que as regras aplicáveis às
embarcações “devem ser ajustadas à realidade” local.Na
sua opinião, a iniciativa apresentada pelos três partidos da coligação
contribui para reforçar a segurança e a operacionalidade da frota de
pesca da região.Por sua vez, Luís Silveira
(CDS-PP) apontou que a proposta altera “uma legislação que já tem
bastantes anos e que tem criado, aos pequenos e médios pescadores,
inúmeros constrangimentos ao longo dos anos”.Pelo
BE, o deputado António Lima disse que a questão não é nova e aborda e
regula questões ligadas à potência de motores e impõe limites, pelo que,
no seu entender, “devia exigir que se percebesse com os interessados se
o que aqui está [no documento] corresponde às suas dificuldades e aos
seus problemas”.“Penso que a proposta poderá resolver o problema”, referiu, mas disse ter dúvidas “das intenções da coligação”, daí a abstenção.O
parlamentar socialista Mário Tomé considerou que a modernização da
frota açoriana e a melhoria das condições de segurança no mar impõem
“sempre que se justifique, a revisão da legislação”, admitindo que a
alteração permite dar mais segurança à maioria da frota pesqueira dos
Açores.A atualização das regras “constitui uma medida racional” e “tecnicamente fundamentada”, admitiu.Ainda
no último dia do plenário de fevereiro, realizado na cidade da Horta,
na ilha do Faial, a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores
rejeitou, por maioria, uma proposta do Chega que propunha uma terceira
alteração ao Decreto Legislativo Regional n.º 14/2024/A, de 24 de
dezembro, que estrutura o Parque Marinho dos Açores, para permitir a
pesca de atum por salto e vara.A proposta
do Chega foi presentada por Olivéria Santos, que afirmou que o partido
continua sem entender “porque se impõe esta proibição aos armadores,
mesmo depois de se saber que esta arte não afeta nem interfere” com os
recursos marinhos.“O Chega não é contra a
proteção ambiental, o que está em causa são centenas de famílias que
estão a ver a sua vida a andar para trás por verem esta proibição que, a
nosso ver, não faz sentido”, disse.A
alteração foi rejeitada com votos contra de PSD (23), PS (21), CDS-PP
(dois), PPM (um), IL (um), BE (um) e PAN (um) e votos a favor do Chega
(cinco).