Açores alertam que têm vindo a perder “contrapartidas justas” pelo uso das Lajes

Hoje 15:31 — Lusa/AO Online

“A Base das Lajes deve continuar a servir a segurança internacional, mas deve também servir o desenvolvimento dos Açores e o futuro de Portugal. Não aceitamos que a Base das Lajes seja vista apenas como uma coordenada estratégica num mapa de defesa global”, afirmou o vice-presidente do executivo dos Açores.Artur Lima falava no plenário da Assembleia Regional, na Horta, num debate de urgência solicitado pelo Chega sobre a “avaliação estratégica” da Base das Lajes, na ilha Terceira.O número dois do Governo Regional lembrou que aquela base foi uma “peça fundamental em sucessivas negociações entre Portugal e os Estados Unidos”, o que revela que as administrações norte-americanas “sempre tiveram interesse” naquela infraestrutura.“A cada uma dessas negociações, os Açores perderam contrapartidas justas e devidas, porventura não sentidas pela República Portuguesa, sendo inegável que os sucessivos Governos têm falhado, de forma sistemática, na defesa dos interesses dos Açores”, criticou.O governante considerou uma “imprudência” rever o Acordo Bilateral de Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos no “atual contexto internacional”.“Não pedimos favores, exigimos o respeito devido a quem, durante décadas, foi a sentinela da liberdade no Ocidente”, reforçou.Artur Lima lembrou que a redução do contingente norte-americano na base (‘downsizing’) desde 2012 teve “consequências económicas, sociais e estratégicas profundas para a ilha” e criticou a atuação dos governos da República.“As alianças sólidas não se constroem sobre o silêncio. Constroem-se sobre respeito estratégico, reciprocidade e equilíbrio entre parceiros”.A 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva de larga escala contra o Irão, à qual Teerão respondeu com ataques contra os alvos israelitas e bases norte-americanas em países da região e com o bloqueio do estreito de Ormuz, uma via marítima fundamental para escoar o petróleo e o gás natural produzidos na região. A Base das Lajes, na ilha Terceira, nos Açores, mantém um movimento intenso de aeronaves norte-americanas, sobretudo de aviões reabastecedores, desde que Estados Unidos da América e Israel atacaram o Irão.