Açores admitem liderar processo nacional de uso de tecnologia como prova judicial
24 de mai. de 2022, 12:31
— Lusa/AO Online
“Não
excluo nenhuma possibilidade, mas não vou agora adiantar um compromisso
de realização porque estamos, como deve ser, em jeito de ‘draft law’, a
começar a fazer pensamento sobre esta matéria. Não havendo iniciativa
nacional, a região pode muito bem tomar esta iniciativa”, declarou José
Manuel Bolieiro.O líder do executivo
açoriano, de coligação PSD/CDS-PP, falava aos jornalistas, no Palácio de
Sant’Ana, em Ponta Delgada, na sequência da audiência concedida ao novo
Comandante da Zona Marítima dos Açores, comodoro José Rodrigues Pinto.Bolieiro
revelou que está previsto para 22 de junho, na ilha Terceira, no
TERINOV, um colóquio de “reflexão do ponto de vista político, académico,
mas também judiciário, sobre a possibilidade de aproveitar os novos
meios tecnológicos como admissibilidade de prova tendo como referências
as infrações no mar”.É o caso da observação a partir do espaço, por exemplo, tanto nas pescas como na poluição oceânica, frisou.A
subzona dos Açores representa a maior área da Zona Económica Exclusiva
nacional, a terceira maior da União Europeia, representando 11% da ZEE
europeia.Frotas exteriores violam com
frequência as águas portuguesas para o exercício de pesca ilegal,
segundo testemunhos da comunidade piscatória regional, delapidando os
recursos locais.José Manuel Bolieiro disse
ainda contar com a Marinha no processo de fiscalização das áreas de
reserva marinha protegidas, no âmbito do projeto ‘Blue Ocean’, que visa
antecipar as metas europeias nesta área, para os Açores, em 2023.A região pretende atingir a meta de 30% de Áreas Marinhas Protegidas até 2023.O
governante salvaguardou que a Marinha “não pode deixar de ter uma
posição que não a de incrementar os meios” de fiscalização nos Açores,
como referiu ter sido o testemunho deixado pelo novo comandante da Zona
Marítima dos Açores.Bolieiro manifestou a
satisfação pelo facto de, “até final deste ano, ter-se finalmente um
salva-vidas, que estará posicionado no grupo central, em particular na
Horta”, bem como por se estar a desenvolver um esforço para reforçar os
navios de vigilância da subzona dos Açores da Zona Económica Exclusiva
nacional.O comodoro José Rodrigues Pinto
declarou, por seu turno, que se está a recorrer cada vez mais aos meios
tecnológicos como forma de reforçar a fiscalização das águas açorianas, o
que, a par de “processos inovadores na metodologia de trabalho” e da
coordenação de todas as entidades ligadas ao processo, torna a operação
“mais eficiente”.O novo comandante da Zona
Marítima dos Açores, face ao alargamento da plataforma continental,
declarou que os meios existentes “serão os suficientes até porque são os
que o país disponibiliza, sendo dever cumprir a missão com estes,
obrigando a ser mais eficientes com recurso a soluções inovadoras” como
os drones, projeto já instalado na Madeira e que vai chegar também aos
Açores.