Açores acolhem campeonato mundial de trauma e desencarceramento
23 de out. de 2024, 14:49
— Lusa/AO Online
“Nós vamos ver as melhores
práticas, em todo o mundo, com as vicissitudes que cada país tem, e
vamos ver ao longo de quatro dias as equipas a competirem e a mostrarem o
que há de melhor”, afirmou, em conferência de imprensa, Luís
Figueiredo, presidente da Associação Nacional de Salvamento e
Desencarceramento (ANSD).O evento, que já
decorreu em Lisboa, em 2015, chega, este ano, aos Açores, numa
organização conjunta da ANSD, representante da World Rescue
Organization em Portugal, com Associação Humanitária de Bombeiros
Voluntários da Praia da Vitória, que já venceu o campeonato na vertente
de trauma.A participar nestes campeonatos
desde 2016, os bombeiros da Praia da Vitória estão hoje mais bem
preparados para responder a situações de desencarceramento e trauma,
segundo o comandante Alexandre Cunha.“Não
só acho que estamos mais bem preparados, como acho que em consequência
de estarmos mais bem preparados e da partilha que foi feita desses
conhecimentos adquiridos com o resto dos elementos da nossa região, os
bombeiros dos Açores hoje estão mais bem preparados”, frisou.A
competição “é o que aguça o apetite”, mas o campeonato é sobretudo uma
oportunidade para aprender com “os melhores formadores do mundo em
desencarceramento e trauma”.“É o maior
evento de prática simulada de bombeiros no mundo. Muito mais do que uma
competição, é formação, é partilha de conhecimentos, que faz toda esta
gente crescer, evoluir, para que no dia a dia, o serviço que nós
prestamos à nossa comunidade seja cada vez melhor”, vincou Alexandre
Cunha.Em 2017, os bombeiros da Praia da
Vitória organizaram o campeonato regional e em 2019 o campeonato
nacional, mas já de olhos postos no mundial, segundo Luís Vasco Cunha,
presidente da direção da associação.“O
facto de nós termos mar à nossa volta é muitas vezes usado como desculpa
para a impossibilidade de fazer coisas que os outros fazem e acho que o
nosso problema muitas vezes não é o mar, está em nós”, apontou.Competem
cerca de 600 bombeiros de 23 países, divididos em 71 equipas, incluído
três dos Açores, que terão pela frente 180 cenários simulados de socorro
a vítimas de trauma e de acidentes de viação.Na
Praia da Vitória, foi criada “uma cidade do campeonato do mundo, com
sensivelmente 7.000 metros quadrados”, onde o público pode assistir, de
forma gratuita, às provas, que decorrem das 8h00 às 19h00, e a
espetáculos musicais à noite.“Vão ter uma
experiência no mundo dos bombeiros. Perceber o que é a camaradagem, o
espírito de ajuda, de partilha de conhecimento, e depois perceber que
isto afinal não é bom como nos filmes, mas talvez seja um bocadinho mais
difícil. Se a população conseguir sair daquela cidade do mundial com a
noção de que está muito mais segura, então aí já ganhámos todos”, frisou
Luís Figueiredo.Segundo o presidente da
ANSD, Portugal “é reconhecido pela qualidade e empenho que coloca nos
cenários” e a exigência das provas “assemelha-se muito à realidade”.“Estão
envolvidas cerca de 120 viaturas que vão ser destruídas”, revelou,
acrescentando que uma grande parte foi cedida por uma marca e vem
diretamente da fábrica, para que os bombeiros possam identificar “os
desafios que o carro oferece em termos de segurança”.Luís Figueiredo assegurou que os bombeiros portugueses estão “muito acima daquilo que é a qualidade em todo o mundo”.“Detemos
o título de campeões mundiais de desencarceramento e os bombeiros da
Praia foram campeões mundiais na área do trauma”, salientou.O campeonato arranca com uma Conferência Internacional de Trauma, em Angra do Heroísmo, com palestrantes de todo o mundo.O
evento conta com o apoio do Serviço Regional de Proteção Civil e
Bombeiros dos Açores, dos municípios da Terceira e de várias empresas.