Acordo negocial entre EUA e a China entra formalmente em vigor na quarta-feira
Tarifas
12 de mai. de 2025, 12:52
— Lusa/AO Online
A
suspensão vai entrar em vigor formalmente na quarta-feira, anunciaram
os representantes das duas maiores potências económicas do mundo numa
declaração conjunta publicada hoje, após dois dias de negociações em
Genebra, Suíça.De acordo com a declaração
conjunta, os dois países concordaram igualmente em estabelecer um
mecanismo para prosseguir as discussões sobre as relações comerciais e
económicas.Hoje, a Presidência dos Estados
Unidos congratulou-se com o que designou ser um novo acordo
comercial com Pequim, sem dar mais pormenores.Em
termos concretos, as duas partes concordam em suspender sobretaxas de
115 pontos percentuais que tinham imposto uma à outra nas últimas
semanas, no âmbito de uma guerra de iniciada em abril pelo Presidente
dos Estados Unidos, Donald Trump.Estas
decisões reduzem temporariamente os direitos aduaneiros norte-americanos
sobre a República Popular da China para 30% e os direitos aduaneiros
chineses sobre os Estados Unidos para 10%, enquanto prosseguem as
negociações entre os dois países, disse hoje o representante comercial
norte-americano, Jamieson Greer, em Genebra.O
anúncio desta "trégua" trouxe alívio aos mercados financeiros, com a
bolsa da Região Administrativa Especial de Hong Kong a subir mais de 3%
nos minutos que se seguiram à publicação da declaração conjunta.O dólar norte-americano, que tinha sofrido com a guerra comercial, recuperou face ao iene e ao euro."Nenhum
dos lados quer uma dissociação" das próprias economias, afirmou o
secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent acrescentando que
Washington pretende uma relação comercial mais equilibrada.Bessent
disse ainda que as barreiras alfandegárias introduzidas nos últimos
meses criaram de facto um embargo ao comércio entre os dois países.A
redução destes direitos aduaneiros é "do interesse comum do mundo",
afirmou o Ministério do Comércio chinês, saudando o que considerou
"progressos substanciais" nas negociações comerciais com Washington.A
trégua anunciada hoje foi o resultado de dois dias de negociações em
Genebra entre Bessent e Greer, por parte dos Estados Unidos, e o
vice-primeiro ministro chinês He Lifeng, por parte da República Popular
da China.Tratou-se da primeira reunião
direta entre altos funcionários dos dois países desde que Trump impôs
uma sobretaxa de 145% sobre os produtos provenientes da China, no início
de abril, além dos direitos aduaneiros pré-existentes.Pequim, que prometeu lutar contra as sobretaxas "até ao fim", retaliou com tarifas de 125% sobre os produtos norte-americanos.As
negociações em Genebra decorreram com "grande respeito" e o resultado
demonstra que nenhuma das partes pretende uma rutura económica, disse
ainda Bessent hoje em Genebra.O
responsável acrescentou também que os dois países têm interesse num
comércio equilibrado apelando à República Popular da China para que "se
abra a mais produtos norte-americanos".No
domingo, He Lifeng referiu-se a progressos significativos nas
conversações, que descreveu como "francas, profundas e substanciais".A
guerra comercial entre Pequim e Washington abalou os mercados
financeiros mundiais e alimentou os receios de inflação nos Estados
Unidos e de um abrandamento económico."Estas
conversações marcam um importante 'passo em frente' e, esperamos, são
um bom presságio para o futuro", afirmou no domingo a Organização
Mundial do Comércio (OMC).As conversações
decorreram à porta fechada, na residência do representante suíço nas
Nações Unidas, uma vivenda situada na margem esquerda do lago de
Genebra.A reunião em Genebra teve lugar
dois dias depois de Donald Trump ter apresentado um acordo comercial com
o Reino Unido, o primeiro desde que impôs direitos aduaneiros
considerados "proibitivos" a nível mundial.