Acidentes com trotinetes e velocípedes registados pela PSP são 3,6% do total de 2025
28 de mai. de 2025, 15:47
— Lusa/AO Online
A
PSP divulgou que registou nos primeiros quatro meses do ano 623
acidentes com utilizadores de velocípedes e trotinetes envolvidos, sem
vítimas mortais, mas com 16 feridos graves, porém sem efetuar uma
comparação com os números totais de sinistros.De
acordo com os dados divulgados pela própria PSP já este ano, até abril
ocorreram 17.538 acidentes (13.121 no primeiro trimestre mais 4.417 só
em abril) nas suas áreas de responsabilidade.Destes,
registaram-se 23 mortos (20 no primeiro trimestre e três em abril), 193
feridos graves (135 no primeiro trimestre e 58 em abril) e 5.218
feridos ligeiros (3.888 no primeiro trimestre e 1.330 em abril).A
PSP anunciou a operação “Mobilidade Ativa em Segurança”, que arranca
hoje e termina em 03 de junho (Dia Internacional da Bicicleta), visando
“prevenir e dissuadir os comportamentos de risco dos utilizadores de
velocípedes e de veículos equiparados que, de forma decisiva, contribuem
para a ocorrência de acidentes rodoviários”. Porém,
o número total de acidentes envolvendo trotinetes e velocípedes
representou 3,6% do total dos registados pela PSP este ano, bem como a
8,2% dos feridos graves, não tendo sido registadas quaisquer mortes pela
PSP.A MUBi - Associação para a Mobilidade
Urbana em Bicicleta lembrou hoje, numa carta dirigida ao Diretor
Nacional da PSP, que os maiores riscos para a segurança rodoviária vêm
de veículos motorizados."A fiscalização
deve centrar-se nos comportamentos que representam maior risco para a
segurança rodoviária e para a vida humana — e esses continuam, em larga
maioria, associados à condução de veículos motorizados", refere a MUBi
na carta aberta enviada ao diretor nacional da PSP, em que também assume
partilhar "inteiramente o compromisso com a importância de reduzir o
perigo rodoviário para todos os utilizadores do espaço público"A
associação manifestou "preocupação" sobre a operação de fiscalização de
meios suaves, alertando para "os riscos de uma abordagem
desproporcionada, que possa penalizar modos de transporte universais,
benignos e sustentáveis, desencorajando inadvertidamente a sua
utilização"."A Estratégia Nacional para a
Mobilidade Ativa Ciclável (ENMAC), na medida E2-11, atribui à PSP e à
GNR a responsabilidade de intensificar a prevenção de comportamentos de
risco por parte dos condutores motorizados, com vista à proteção dos
utilizadores vulneráveis, como os ciclistas", recorda. A Lusa questionou a PSP acerca da responsabilidade dos acidentes envolvendo trotinetes e bicicletas e aguarda resposta.Segundo
os dados disponíveis no porta da Autoridade Nacional de Segurança
Rodoviária (ANSR), mais abrangentes, o número de acidentes a nível
nacional chega aos 55.064 até esta terça-feira, tendo provocado 151
mortos, 905 feridos graves e 15.839 ligeiros.Ao
longo deste ano a Lusa também já noticiou várias mortes de ciclistas,
em ambiente urbano e fora, mas sem poder apurar as circunstâncias e as
responsabilidades dos sinistros. No seu
balanço no primeiro trimestre, do total das contraordenações registadas,
a PSP destaca "na sua maioria, aquelas que coincidem com as principais
causas da sinistralidade: condução em excesso de velocidade, falta de
inspeção periódica obrigatória, uso do telemóvel durante a condução,
condução com taxa de álcool no sangue superior ao permitido, falta do
uso do cinto de segurança e falta do uso de sistemas de retenção",
nenhuma associada a trotinetes ou velocípedes.Já
em abril a PSP contabilizou mais 1.688 condutores em excesso de
velocidade do que no período homólogo do ano passado (2.716), o que
corresponde a um aumento de cerca de 62%, apontando ainda que 341
infrações foram cometidas por condução alcoolizada e 571 por condutores a
usar o telemóvel.