Abstenção nas presidenciais cresce de forma contínua

Presidenciais

5 de jan. de 2026, 10:49 — Ana Carvalho Melo

A participação dos açorianos nas eleições presidenciais tem vindo a diminuir ao longo das últimas décadas, posicionando a Região Autónoma dos Açores como uma das zonas do país com menor afluência às urnas em sufrágios nacionais.De acordo com dados históricos, a trajetória de abstenção entre 1976 e 2021 mostra uma tendência de crescimento persistente, que apenas conheceu pequenas quebras pontuais.Nos primeiros anos da democracia, os Açores registaram os níveis mais baixos de abstenção. Em 1976, apenas 32,19% dos eleitores faltaram às urnas, valor que desceu para 25,91% em 1980, o mínimo histórico no período analisado.A partir de 1986, iniciou-se um ciclo de aumento da abstenção que até agora não foi revertido. Nesse ano, 38,50% dos eleitores abstiveram-se na primeira volta e 36,09% na segunda. Em 1991, o valor aproximou-se dos 50%, atingindo 48,21%, e manteve-se estável em 1996, com 49,19%.Já neste século, o afastamento das urnas tornou-se mais evidente. Em 2001, a abstenção subiu para 62,84%, num contexto de recandidatura presidencial. Em 2006 registou-se uma descida para 56,92%, mas a tendência voltou a subir nas eleições seguintes: 68,75% em 2011 e 69,08% em 2016, os valores mais elevados de sempre.No último ato eleitoral, em 2021, marcado pela pandemia de Covid-19, a taxa de abstenção fixou-se em 63,93%, confirmando a persistência de um fenómeno que há décadas afasta a maioria dos açorianos das urnas.Também na globalidade do país, as eleições presidenciais apresentam um padrão de participação volátil e em declínio persistente ao longo das últimas décadas.De acordo como estudo “Abstenção Eleitoral em Portugal - Mecanismos, Impactos e Soluções” realizado por João Cancela e José Santana Pereira para a Fundação Francisco Manuel dos Santos, este fenómeno é influenciado por fatores institucionais, pela competitividade percebida e por características sociodemográficas específicas dos eleitores.O estudo mostra que após níveis elevados de mobilização nos primeiros três escrutínios presidenciais da democracia, observa-se, a partir dos anos 90, um ciclo prolongado de diminuição da afluência às urnas. Mas também que historicamente, atos eleitorais sem um presidente em funções a recandidatar-se (como 1986, 1996 ou 2006) registam maiores níveis de participação.