"Absolutamente convencido" que operadoras vão reduzir preços para não perder clientes
14 de dez. de 2023, 11:23
— Alexandra Luís/Lusa/AO Online
Os
três principais operadores de telecomunicações Meo (Altice Portugal),
NOS e Vodafone Portugal vão aumentar os preços no próximo ano, depois de
há um mês o regulador ter pedido "contenção" na subida."Penso
que [2024] será o último ano em que as empresas, sem ouvir nada nem
ninguém, sem ouvir o regulador, sem ouvir os consumidores, decidem
continuar a aprofundar esta divergência de preços", nomeadamente com a
entrada de ofertas competitivas, considera João Cadete de Matos,
aludindo ao novo concorrente Digi."Estou
absolutamente convencido que no próximo ano as empresas, para não
perderem os seus clientes, vão ter que reduzir os preços", previu o
responsável, no último dia da sua presidência na Anacom.À
semelhança do que o regulador tinha feito em 2022 - também este ano
pediu moderação nos preços -, considera que o aumento previsto para 2024
"voltará a ser excessivo e aprofunda o fosso", insistindo que os preços
das telecomunicações em Portugal "são dos mais altos da União
Europeia".Ora, do ponto do regulador e da proteção dos consumidores, "isso é injustificável"."Claro
que, do ponto de vista dos acionistas das empresas, é muito
interessante porque aumenta os lucros da empresa e, portanto, esse é o
ponto de vista e o interesse das empresas, mas as empresas têm que ter
também uma preocupação de terem preços que sejam competitivos e que
satisfaçam os seus clientes, nomeadamente numa situação em que grande
parte da população portuguesa tem dificuldades em gerir os seus
orçamentos familiares e, por isso, nós temos recomendado contenção nos
aumentos dos preços", argumenta Cadete de Matos."Insistimos
nesta recomendação, temos muita dificuldade em perceber que as empresas
não oiçam a autoridade reguladora, não oiçam as associações de proteção
dos consumidores", nem a "do Governo, da Assembleia da República para
precisamente proteger os rendimentos das famílias que enfrentam uma
dificuldade", lamenta.Este panorama,
sublinha, "só reforça a convicção da Anacom de que foi correta a
decisão" tomada de promover o aumento da concorrência."Porque
com a entrada que vai acontecer agora nos próximos meses de uma nova
empresa [a Digi] no mercado das telecomunicações em Portugal, essa nova
empresa vai trazer para as comunicações preços que ela pratica já hoje
em Espanha e que são, nalguns casos, metade do preço que os outros
operadores praticam em Portugal", sublinha João Cadete de Matos.O
responsável alerta para o facto de as operadoras terem os "clientes
amarrados" às fidelizações, alertando para a questão das refidelizações."Tenho
vindo a alertar os consumidores para terem muito cuidado com as
refidelizações", insiste João Cadete de Matos, que tornam os
consumidores 'presos' ao contrato por mais dois anos, sendo que para a
cessação antecipada do contrato terão de pagar "um custo de centenas de
euros"."A única expectativa que eu tenho e
que se materializou em Espanha, em França e Itália" é que o aumento da
concorrência baixe os preços."Vamos ter
ainda no início do ano, infelizmente" subida de preços da parte dos
operadores, "mas quando começarmos a ter concorrência durante o ano com
novas ofertas, aí a tendência terá que ser de redução dos preços e
espero também que se consiga aquilo que aconteceu em Espanha, que é
termos - como tem esta empresa que vai entrar no mercado português - não
só preços, que são metade dos preços de Portugal, como tem contratos
que, em vez de ter uma fidelização de dois anos", tem "uma fidelização
de três meses", diz.A diferença "é abissal
e, portanto, o mercado das comunicações em Portugal precisa desta
alteração profunda que vai acontecer fruto daquilo que foram as medidas
que a Anacom tomou ao longo dos anos", remata.