Aberta consulta pública para Bote Baleeiro Açoriano como Património Cultural Imaterial
Hoje 15:55
— AO Online/Lusa
De acordo com o anúncio publicado em Diário da
República, a consulta pública decorre durante 30 dias, permitindo que
cidadãos e entidades apresentem observações sobre o processo.A
documentação referente ao pedido de inventariação pode ser consultada
no site do Património Cultural, I.P., ou presencialmente no arquivo da
Divisão de Cadastro, Inventário e Classificação, no Palácio Nacional da
Ajuda, em Lisboa.Segundo o anúncio
consultado pela agência Lusa, as observações em sede da presente
consulta pública devem ser enviadas para o endereço inpci@patrimoniocultural.gov.pt ou por carta registada dirigida ao Património Cultural.Após
a consulta pública, o Património Cultural dispõe de um prazo de 120
dias para decidir sobre a inscrição da manifestação no Inventário
Nacional do Património Cultural Imaterial, segundo referido no anúncio
assinado pelo presidente do conselho diretivo do instituto, João
Soalheiro.A candidatura visa reconhecer e
salvaguardar os conhecimentos e técnicas associadas ao manuseamento e à
construção do bote baleeiro açoriano nas Lajes do Pico, uma marca
cultural dos Açores.A caça da baleia no arquipélago dos Açores terminou em 1984.A
captura processava-se com base em barcos de boca aberta e em métodos
artesanais, com recurso a um arpão, sendo posteriormente os cetáceos
desmanchados nas unidades industriais que existiam nas várias ilhas do
arquipélago.O primeiro bote baleeiro
açoriano foi construído nas Lajes do Pico pelo mestre Francisco José
Machado ("o Experiente"), nos finais do século XIX.Ainda
segundo informação disponibilizada na página oficial da Câmara
Municipal das Lajes do Pico, "gerações de outros grandes carpinteiros
navais notabilizaram-se na construção, de forma artesanal", de botes
baleeiros.A autarquia sublinha que o bote
baleeiro açoriano tem sido representado em exposições, em feiras e em
regatas, destacando que estas participações contribuem para "a projeção e
afirmação do património baleeiro regional no mundo, com particular
destaque para o bote baleeiro açoriano".Para
o município das Lajes do Pico, a recuperação de uma parte significativa
do património baleeiro dos Açores – botes e lanchas de reboque – deve
ser considerada, "muito provavelmente, como um dos mais emblemáticos
projetos de reabilitação patrimonial, verdadeiramente ao serviço das
comunidades, realizado nos últimos anos em Portugal".Concebido e criado a partir do modelo norte-americano, é hoje considerado "uma das embarcações mais emblemáticas do mundo".
"Nas Lajes do Pico, a capital mundial da cultura da baleia, é, ainda,
muito mais do que isso. É um elemento material e imaterial da nossa
iconografia e mitografia profundas, associadas aos mistérios do grande
mar e dos grandes cetáceos que nos permite sonhar com a classificação
pela Unesco da cultura da baleia como património da humanidade", lê-se
ainda.Após a classificação como Património
Imaterial, A Câmara Municipal das Lajes do Pico quer candidatar o bote
baleeiro a património da UNESCO em 2027 para proteger “aquilo que tanto
orgulha” a identidade açoriana, segundo adiantou à agência Lusa, em
fevereiro, a presidente da autarquia, Ana Brum (PS).Ana
Brum falava à Lusa a propósito da assinatura de um contrato com o
mestre João Tavares, de 80 anos, o mais antigo construtor de botes
baleeiros açorianos, para reconstrução do “Maria Regina”, com a
matrícula H-53-EST.“E a verdade é que, no
Pico, apenas existem dois construtores navais de botes baleeiros e este
conhecimento está a perder-se. E é por isso que essa candidatura é muito
urgente", explicou, na ocasião, a autarca.