Abel Ferreira descarta necessidade de culminar ciclo no comando do Palmeiras
28 de dez. de 2022, 18:32
— Lusa/AO Online
“Quanto
tens uma relação conjugal e está tudo bem, não há essa necessidade de
mudar. Eu vivo com a realidade e muito no aqui e no agora. O aqui e
agora é o Palmeiras e ser treinador de um dos maiores clubes do mundo.
Estou muito feliz e realizado no clube em que estou. Não vivo com ‘ses’,
mas com o aqui e o agora. A realidade é esta e foco-me nela”, reiterou
aos jornalistas o técnico, à margem do evento de lançamento do seu
livro.Depois de levar o Palmeiras ao seu
11.ª título de campeão brasileiro, Abel Ferreira tem sido um dos nomes
associados à sucessão de Fernando Santos, que deixou a formação das
‘quinas’ a seguir à derrota com Marrocos (0-1) nos quartos de final do
Mundial2022.“É um orgulho ser português.
Quando és emigrante, ainda mais o sentes. Agora, volto a referir que a
minha realidade é o Palmeiras. Renovámos [contrato] logo no início do
ano [até 2024] e estamos num clube que nos proporciona todas as
condições”, enquadrou o treinador, de 44 anos, que arrebatou seis cetros
com o ‘verdão’ desde outubro de 2020.Fernando
Santos esteve oito anos no cargo de selecionador nacional e concedeu os
dois primeiros e únicos troféus internacionais no patamar sénior a
Portugal, ao conquistar o Euro2016 e a Liga das Nações de 2019, por
entre 67 vitórias, 23 empates e 19 derrotas.“Portugal
tem treinadores de muita qualidade e experiência, que ganharam muito
mais do que eu. Tem, porventura, treinadores desempregados e
disponíveis. A minha realidade é esta. O que digo às pessoas que têm de
tomar decisões é boa sorte. Todos os dias tomo decisões e não é nada
fácil tomar boas decisões. Quem tiver de tomar a decisão, que a tome de
consciência e escolha a pessoa certa”, apelou Abel Ferreira, cujo nome
também tem sido falado na imprensa para render Tite à frente do
pentacampeão mundial Brasil.O técnico
apresentou o livro “Cabeça Fria, Coração Quente”, no
Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, para onde irão reverter
todas as receitas obtidas na venda de uma obra que até “dizia de caras
ser impossível escrever algum dia”.“Decidimos
escrever este livro no Brasil por dois motivos: agradecer as
oportunidades que esse país nos deu e partilhar as nossas experiências
na primeira pessoa com quem gosta do futebol. É algo muito pessoal,
sentido e vivido. Há um sentimento de orgulho e gratidão”, expressou, ao
lado do adjunto Vítor Castanheira e do observador Tiago Costa.A
obra também inclui os contributos do treinador auxiliar Carlos Martinho
e do preparador físico João Martins para ilustrar desafios enfrentados
pela equipa técnica portuguesa no futebol brasileiro e revelar detalhes
inéditos na preparação e análise de 16 jogos-chave.“Tem
de haver equilíbrio entre o que é racional e emocional. Depois, o
futebol tem esta particularidade de acelerar muito o lado emocional
quando o árbitro apita. A vida foi-me ensinando, porque cometi erros e
acertei, e vais percebendo que, quando estás com a cabeça fria e o
coração quente ao mesmo nível e de forma equilibrada, acabas sempre por
tomar melhores decisões e ajudar, inspirar e influenciar aqueles que
lideras”, notou.Abel Ferreira está nomeado
pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol
(IFFHS) para melhor treinador de clubes em 2022, no ocaso de um ano
marcado pelos sucessos inéditos nos campeonatos brasileiro e paulista e
na Taça sul-americana.“Gesto de levar os
dedos à cabeça presente na capa do livro? É um gesto inconsciente, mas
que se tornou uma imagem de marca. Lembro-me de pedir calma num jogo em
que estávamos a perder, porque era o que precisávamos. Depois, acabámos
por passar a eliminatória. Acho que foi um gesto muito bem vincado, mas é
algo que procuro também utilizar para mim”, terminou o vencedor das
edições 2020 e 2021 da Taça Libertadores.