"A Vida no Campo" de Joel Neto e o “luxo da simplicidade” em cena em Famalicão
8 de mar. de 2019, 16:47
— Lusa/AO Online
Um
casal que vem da cidade, uma casa nos Açores e uma tentativa de
recomeço numa zona rural são os temas centrais da peça "A Vida no
Campo", uma adaptação do livro homónimo de Joel Neto, autor de romances
como "Arquipélago" e "Meridiano 28", textos que são um “hino aos
Açores”, disse Luísa Pinto à agência Lusa. “Apaixonei-me
pela escrita de Joel Neto no livro ‘Arquipélago’. E, a seguir, foi
lançado o diário ‘A Vida no Campo’ e tive imensa vontade de o pôr em
cena e de dar voz a esta forma como ele escreve: o luxo da simplicidade.
Desafiei o Joel e ele aceitou”, explicou hoje a encenadora da
coprodução da Narrativensaio-AC e da Casa das Artes de Vila Nova de
Famalicão.Com interpretações de António
Durães, Filipa Guedes e participação especial, como narrador da peça, do
jornalista Fernando Alves, "A Vida no Campo" é a história de uma crise
conjugal num cenário bucólico. “A peça descreve um lugar tranquilo e de
regresso às nossas origens, à terra, e ‘A vida no Campo’ será, também,
divertida porque explica o quotidiano de muitas vidas de casais”, disse
Luísa Pinto.A adaptação do texto é da
autoria de Joel Neto e Catarina Ferreira de Almeida, autores da peça
sobre a oposição entre a vida urbana e a vida rural, com uma “homenagem
às ilhas e aos Açores, mas também, curiosamente, às cidades
[portuguesas]”, referiu a encenadora. Luísa
Pinto avança que a produção não ficará só em Vila Nova de Famalicão
(nos dias 21, 22 e 23 de março) e irá a cena no dia 11 de abril, no Cine
Teatro Avenida, em Castelo Branco, a 13 de abril no Teatro Municipal em
Bragança e a 26 e 27 de abril, no Teatro Municipal Joaquim Benite, em
Almada.O elenco vai deslocar-se, também,
ao cenário onde se desenrola o enredo, com data marcada nos Açores, a 04
de maio, no Auditório do Ramo Grande, na Ilha Terceira, e a 11 de maio,
no Teatro Micaelense, na Ilha de S. Miguel. “Vamos fazer uma aposta na
descentralização do teatro e vamos levar a peça aos lugares onde a
história foi criada”, disse.“O projeto é
emotivo e de partilha porque convida a olhar a paisagem e o mundo à
nossa volta, no meio desta corrida da sociedade contemporânea, com
grandes apelos sonoros e visuais sobre as vidas em locais inóspitos”,
afirmou a encenadora de uma peça com vários recursos a sonoplastia:
“vamos levar o público até à água e aos bichos”. A
peça é a quarta coprodução entre a Narrativensaio-AC e a Casa das Artes
de Vila Nova de Famalicão, um projeto que foi pensado para ter “um
grande impacto do ponto de vista plástico” com textos que “privilegiam a
escrita em português”, apontou.“A
linguagem da peça é diferente porque se trata de uma adaptação de uma
obra que foi pensada só para literatura e, mais tarde, o Joel Neto
voltou a pensar no texto para ser dito em palco”, explicou à Lusa
António Durães, ator de "A Vida no Campo". Num
cenário que oscila entre uma casa e uma área exterior, “há universos
espelhados por vários espaços com episódios da vida quotidiana não
urbana” e os atores serão acompanhados por “vídeos que reportam as
histórias e que as potenciam”, referiu Durães.“O
casal atravessa uma crise. E um deles está preso e o outro é
completamente livre numa ilha”, numa peça que retrata “o exílio e o
regresso a um sítio que é querido e familiar”, esclareceu o ator.