"A tarefa de treinador é de grande responsabilidade"

7 de jul. de 2008, 11:32 — Susete Rodrigues

Trinta e quatro treinadores fizeram parte deste curso, que contou com vários formadores entre eles Rui Mâncio (IV Nível - Mestrado em Treino de Jovens e coordenador das selecções da Madeira).  Em entrevista ao Açoriano Oriental, Mâncio fala do seu papel neste curso, da formação dos jovens e de um projecto que está a ser aplicado na Madeira - o cartão Azul aos jovens. O que foi que abordou no curso? A metodologia do treino. Ou seja, é uma área que abrange as capacidades motoras, que abrange as técnico/tácticas e pretende ser um aglutinador destas disciplinas. A expressão total do treino faz-se na sua metodologia. Não só na construção do próprio exercício, na sequência dos exercícios que os treinadores ao longo de uma sessão de trabalho têm que fazer, como também construir uma base de 3,4, 5 ou 6, treinos (depende do nível de competição em questão) para se jogar ao fim-de-semana. Portanto, o planeamento destes treinos funciona como o “medicamento” para o que se pretende fazer, porque no fundo o desporto vive à base da competição. O futebol tem que ser nos jovens um instrumento para o desenvolvimento motor e cognitivo, para estabelecer laços sociais e de inter-relação. Esta modalidade tem que dar esta mais-valia, e não se pensar que quem entra no futebol vai ser um Pauleta, um Cristiano Ronaldo ou outro qualquer jogador de alto gabarito. O curso foi ministrado para treinadores de todos os escalões? A partir do 3º nível focalizam-se os níveis de alto rendimento e no 1º e 2º níveis, a metodologia não deixa de ser uma matéria que atravessa todos estes escalões, desde as escolinhas até aos seniores. É uma matéria que tem duas fases onde já se conhece a capacidade motora e agora tem que se dar uma sequência lógica. A sequência é fundamental para o exercício do treino e  esta tem que ter qualidade para promover, nos momentos certos, as melhores prestações. É necessário ter em mente que o exercício de treino é “qualquer coisa” que se constrói para actuar perante um jovem no desenvolvimento das suas capacidades. No curso, quais são as questões que os treinadores que o frequentam colocam? Por exemplo tivemos uma aula no sentido de transformamos a prelecção numa inter-acção. Na minha qualidade de formador de treinadores tenho que tornar a aprendizagem motivadora, participativa e apelativa. Portanto, é muito bom as pessoas partilharem a aprendizagem e poderem participar com mais motivação. Achei que todos os treinadores que frequentaram o curso têm uma grande vontade de aprender, e quando assim é, para o formador, as coisas tornam-se fáceis, porque está a ir ao encontro da vontade e querer dos formandos em saber mais. É uma tarefa árdua ser-se treinador de futebol de qualquer escalão? Sim. Durante o curso pedi a cada um que invocasse um atributo de um treinador, e conseguimos, penso que 30, atributos diferentes. Isto é o suficiente para se dizer que a tarefa de treinador é de grande responsabilidade.  É de grande responsabilidade porque se está a trabalhar com crianças de várias idades, em que alguns, depois, poderão entrar no mercado de trabalho, e esta formação tem que ser integral. Ou seja, um aluno de futebol não é separadamente um jovem estudante, desportista ou religioso. Ele é isto tudo e o desporto tem posição, relação, comunicação, competição, a mística do ganhar ou perder, domínio que é bastante rico para um jovem. Por isso é necessário da parte do treinador grande competência, e esta advém de estar preparado para exercer a profissão.  Quando vejo, da parte da Associação de Futebol de Ponta Delgada, e dos seus treinadores, interesse em aprenderem mais, não há qualquer dúvida que temos que dar um aplauso público a todos estes treinadores e associação. Que conhecimento tem da formação nos Açores? Tive a oportunidade de estar no Torneio Lopes da Silva (Sub-14), e posso dizer que tenho assistido a um crescimento ao nível da qualidade das representações dos Açores. São equipas equilibradas ao nível das outras associações. Os Açores estão num bom caminho, mas também digo com o máximo à vontade que há sempre mais para fazer. Diria que  há sempre coisas para descobrir, para aprender, e tenho notado e pude constatar isto mesmo, ou seja, a tal vontade de querer aprender mais.