A Paris da história e dos monumentos passa a vez à Los Angeles das estrelas
Paris2024
12 de ago. de 2024, 10:39
— Lusa/AO Online
Pouco mais de duas semanas
depois da inédita cerimónia de abertura, que pela primeira vez saiu de
um estádio e foi vivida ao longo das margens do rio Sena, o Stade de
France, com a icónica pista roxa praticamente tapada, tornou-se um
teatro, onde se agradeceu aos atletas pelas conquistas e pelas emoções.Na
ideia do coreógrafo francês Thomas Jolly, também responsável pela
cerimónia de abertura, ‘Recordes’, o título dado para a despedida dos
terceiros Jogos de Paris, serviu também para fazer um tributo ao
renascimento dos Jogos Olímpicos, mas também ao regresso do público aos
estádios, depois de recintos ‘às moscas’ em Tóquio2020, devido à
covid-19.A Paris do amor, dos monumentos,
da história foi homenageada logo a abrir a cerimónia, com a cantora Zaho
de Sagazan, que já tinha inaugurado o festival de Cannes, e o coro da
Academia Haendel-Hendrix a cantarem, nos Jardins dos Tuileries, onde
esteve desde 26 de julho acesa a pira olímpica, a famosa canção Sous le
ciel de Paris (Sobre o céu de Paris). A
partir daí, a chama olímpica parte em direção ao Stade de France, com
nadador francês León Marchand, que conquistou quatro medalhas de ouro em
Paris2024, a levantar uma candeia, com a pira olímpica a extinguir-se
definitivamente.O presidente francês,
Emmanuel Macron, e o presidente do Comité Olímpico Internacional (COI),
Thomas Bach, entraram, então, no Stade de France, tal como a bandeira
francesa, com A Marselhesa a ser interpretada apenas musicalmente.Em
total comunhão, os porta-estandartes das várias nações, entre os quais
os portugueses Iúri Leitão e Patrícia Sampaio, presentes entraram no
estádio, numa derradeira homenagem aos heróis dos Jogos da XXXIII
Olimpíada, passando junto a uma medalha de ouro gigante num palco,
transformado, de forma simbólica, num planisfério.As
bandeiras uniram-se à volta do mundo, num sinal de união, com os
restantes atletas a juntarem-se a eles, numa algo caótica entrada, mas
terminando todos juntos, em redor do palco, numa amálgama perfeita de
cores.Nos primeiros Jogos paritários, as
últimas medalhas foram entregues às três heroínas que cumpriram os
42,195 quilómetros da maratona na frente, num momento seguido por uma
homenagem aos voluntários, que antecedeu o início do verdadeiro
espetáculo, com o Stade de France finalmente tornado num teatro, já sob a
escuridão da noite.De repente, vindo dos
céus, um viajante dourado aterra no centro do Stade de France,
acompanhado por um jogo de luzes claro e escuro, num regresso ao início
da humanidade.Já depois de se ter ouvido o
hino da Grécia, país fundador dos Jogos, e um espetacular jogo de
luzes, que simulava o Baer do coração ou um atleta a correr, o viajante
dourado continua a sua caminhada e encontra a deusa grega da vitória,
Nike, antes de uma voz do passado ecoar e recorda o renascimento dos
Jogos da Era Moderna.Numa homenagem
àqueles que fizeram renascer os Jogos, enormes aros ganham vida, num
enorme número de dança, protagonizado por dezenas de bailarinos,
enquanto o pianista Alain Roche, suspenso verticalmente no ar, toca o
Hino a Apolo, o mais antigo hino grego conhecido e que foi tocado pela
primeira vez em 16 de junho de 1894, num congresso que procurava recriar
os Jogos.O final da jornada do viajante
dourado acontece quando os cinco anéis olímpicos são levantados no ar,
por cima de uma torre humana, então o centro do Stade de France torna-se
então uma festa, com os atletas a tomarem conta dele, em excesso,
acabando por ser expulsos, a muito custo, do palco, antes da entrada em
cena da banda francesa Phoenix, que antecedeu os discursos do presidente
do comité organizador, Tony Estanguet, e de Thomas Bach.A
bandeira olímpica passa então das mãos da autarca de Paris, Anne
Hidalgo para Bach, que entrega a responsabilidade dos Jogos de 2028 à
‘mayor’ de Los Angeles, Karen Bass, com a cantora H.E.R a cantar o hino
dos Estados Unidos, já com a ginasta Simone Biles com a bandeira na mão.Qual
filme de Hollywood, com Tom Cruise a descer do topo do estádio, a
bandeira olímpica parte rumo a Los Angeles de moto conduzida pelo ator,
que a vai entregar, após algumas manobras à Missão Impossível, a alguns
nomes do olimpismo, como a ciclista de montanha Kate Courtney, o skater
Jaeger Eaton e o ‘mítico’ velocista Michael Johnson, junto com muitos
anónimos junto aos mais conhecidos locais da ‘cidade dos anjos’, sempre
ao som dos Red Hot Chili Peppers, que tocaram em Venice Beach, tal como
Billie Eilish.Com grande parte dos atletas
já em debandada, apareceu nos ecrãs uma das figuras destes Jogos, mesmo
que seja fora das áreas de competição, o também californiano Snoop Dog,
figura praticamente omnipresente em Paris, depois de ter transportado a
chama olímpica a poucas horas da cerimónia de abertura.Então,
já perto da meia-noite na capital francesa, a chama, ainda transportada
por Marchant, é apagada e apenas voltará a ser acesa em 2028, em
Olímpia, antes de começar nova longa travessia até chegar à Costa Leste
dos Estados Unidos.