“A manutenção é o objetivo” numa época que será de aprendizagem
Hoje 10:29
— Arthur Melo
A equipa masculina de basquetebol da Associação Juvenil Clube Operário Desportivo (AJCOD) está de regresso aos Nacionais. Está tudo preparado para o início da época na 1.ª Divisão Masculina?Dentro do possível, sim. Existem coisas que não controlamos. Iniciamos a nossa época um pouco mais cedo do que aquilo que é habitual, precisamente porque o nível é diferente. Estamos dentro daquilo que é a limitação do nosso grupo, porque temos dois ou três estudantes, o resto é tudo gente que trabalha. Temos muito menos treinos semanais do que aquilo que seria o expectável quando se participa na 1.ª Divisão. Mas, dentro do possível, sim. Com as limitações, as ausências que iremos ter, inclusive jogadores do cinco inicial que não têm disponibilidade para viajar esse fim de semana, sim, estamos preparados.Esta participação quase que se assemelha às 12 tarefas de Hércules?É um pouco. Temos uma desvantagem, que é ser tudo novo. É novo para os jogadores, mas também é novo para essa direção e para a equipa técnica que orienta a equipa sénior. Neste momento, tudo é um problema porque é tudo novo, mas já estamos a entrar em velocidade cruzeiro. Estamos a iniciar a parte da competição que foi para isso que nos preparamos. A partir daí, depois da segunda ou terceira jornadas, vamos ver se os objetivos a que nos propusemos são os corretos.Há três meses a Liliana Dias dizia que esta participação tinha de ser encarada como uma experiência, ganhar experiência e rodagem numa competição que está num patamar muito elevado. Este espírito, esta mentalidade, tem de estar presente ao longo da temporada para que os maus resultados não possam afetar negativamente a coesão do grupo?Exatamente. Mais que tudo, maus resultados não irão aparecer, porque, na pior das hipóteses, servem de aprendizagem. Neste grupo e nesta direção, tirando um atleta que, por motivos profissionais, veio do continente e estava na 2.ª Divisão o ano passado, mais nenhum de nós tem uma experiência daquilo que é a 1.ª Divisão. Temos alguns que estiveram em equipas, mas a grande maioria deles passava mais tempo no banco do que propriamente dentro do campo. O nosso jogador mais velho tem 27 anos! Será sempre uma aprendizagem para nós. A qualidade do grupo está lá, o que falta é o processo que, por exemplo, acontece no continente: eles iniciam aos 8 anos, não interrompem e aos 24 ou 25 já tiveram algum tipo de experiência nacional ou nos escalões de formação, ou até mesmo quando passam a seniores vão para equipas nacionais. Nós não temos isso, mas vamos ter este ano. Por isso, tudo será experiência, tudo será ganho para nós, desde que no final da época não dê prejuízo financeiro ao clube.Este grupo é composto por atletas da formação, alguns que abandonaram a modalidade, mas acabaram por regressar. Esta identidade do grupo com o clube pode, de alguma maneira, blindar a equipa contra tudo aquilo que a temporada vai trazer de negativo?É uma vantagem, apesar de serem de gerações diferentes. O grupo é composto por 17 pessoas, quatro deles ainda são Sub-18 e queremos integrá-los para dar um prémio e depois, porque o objetivo da equipa sénior foi, desde o início, servir de chamariz aos escalões de formação. Historicamente falando, sempre fomos um clube de formação. Os seniores são consequência do que vamos fazendo. Dos 13 que ficam, temos um que não foi formado cá, mas é como se tivesse sido perfilhado. Temos agora um atleta que veio do continente, mas acaba por ser um grupo consistente, unido.Vai servir, sim. Acredito que, em alguma altura, quando a frustração bater um bocadinho, porque - independentemente daquilo que tínhamos falado, eles são competitivos - vai chegar uma altura que vamos olhar e as outras equipas são claramente superiores, e isso começa pelo facto de contratarem jogadores e nós não. Nós fazemos churrascos para ganhar dinheiro para tentar minimizar a despesa do clube. O resto das equipas contratam jogadores. Acredito que isso é uma mais-valia em relação à luta contra as adversidades e, mesmo dentro do campo, quando as coisas não estiverem a correr de feição, eles vão estar lá uns para os outros e isso acaba por criar um grupo consistente.Desportivamente há objetivos ou não colocaram esta fasquia para não haver uma pressão adicional?Pressão tem que haver porque estamos numa competição e havendo competição acaba por haver pressão. O nosso objetivo é claro: a manutenção. Acreditamos que existem duas ou três equipas que no nosso grupo podemos ser consistentes.Tentaremos ser consistentes o máximo possível e equipararmos um pouco o nível. Temos um handicap este ano, já que no próximo ano o número de equipas na Proliga vai reduzir, o que significa que irão descer mais equipas. A manutenção será difícil, mas é o nosso objetivo.A subida da equipa sénior masculina à 1.ª Divisão cativou mais crianças a aderir ao basquetebol na AJCOD?Em primeiro lugar, está a estimular quem está presente, ou seja, os atletas dos escalões mais baixos. O facto de haver vários requisitos a serem cumpridos, como por exemplo, pessoas para ajudarem na estatística, pessoas para ajudarem a filmar, pessoas para ajudarem a limpar o campo, os atletas dos escalões mais baixos estão super entusiasmados.A grande maioria acabou por se oferecer para realizar algumas funções. Este ponto é positivo. O vir para cá, acredito que com o passar do tempo e com o clube a aparecer mais vezes na comunicação social, nas redes sociais e o facto de estarmos a disputar um campeonato nacional vai, eventualmente, ajudar a aumentar o número de praticantes. Neste momento não, mas acredito que vai aumentar.A AJCOD tem sentido apoio da Lagoa neste regresso aos Nacionais?Sem dúvida. Somos um clube da Lagoa, somos um clube de formação que já existe há muitos anos e já marcamos muitas pessoas. Acredito, por exemplo, que no nosso primeiro jogo em casa [dia 25 de outubro] teremos o pavilhão cheio porque a grande maioria dos ex-atletas, pessoas que já estiveram envolvidas no clube, estão super ansiosos. Alguns até mais que nós.A própria Câmara Municipal também dá-nos todo o apoio para conseguirmos ter melhores condições.Uma das nossas condições era jogar no Pavilhão da Escola Secundária da Lagoa e, neste aspeto, o Serviço de Desporto da Ilha de São Miguel conseguiu arranjar um novo placard eletrónico, o que elevou a qualidade das instalações. Acreditamos que estamos a envolver muita gente, mas isso é só o começo.