“A ilha de Sam Nunca” explora o arquipélago dos Açores
23 de mai. de 2025, 10:59
— Rafael Dutra
A artista Andrea Santolaya vai apresentar esta sexta-feira, no Museu Carlos Machado e
na Galeria Fonseca Macedo, às 18h30 e 20h00, respetivamente, a
exposição “A ilha de Sam Nunca” que retrata e explora, através da
fotografia e do próprio imaginário, os rituais religiosos, bem como a
cultura associada às ilhas do arquipélago açoriano e as pessoas que lá
habitam.Em entrevista ao Açoriano Oriental, Andrea Santolaya indica
que o trabalho desenvolvido para a exposição teve início há oito anos,
quando veio para os Açores, a propósito de um convite que recebeu para
uma residência artística no Pico do Refúgio.A artista e fotógrafa
natural de Espanha gostou tanto da experiência que ficou a viver desde
então na ilha, onde tem continuado a fotografar paisagens e, sobretudo, a
etnografia açoriana. “O trabalho tem a ver muito com a minha
jornada nos Açores. As fotografias mais icónicas representam ritos e
rituais, que tenho estado a fotografar que acontecem no arquipélago nos
Açores, mas que também representam o imaginário açoriano”, explica a
artista.A artista tem tirado inúmeras fotos de procissões e eventos
religiosos, de romeiros, e até romeiras - que são menos comuns -, mas
também de “coroações, impérios e mordomos”, relembra, apontando que
algumas destas irão ser apresentadas hoje, em Ponta Delgada.Não
obstante viver atualmente em Rabo de Peixe, em São Miguel, a artista
representa, através de “uma imagem documentária” todas as ilhas dos
Açores, cada uma “com a sua individualidade dentro de uma identidade
açoriana”, realça, adiantando que o foco é fazer uma representação da
cultura, mas também do religioso.Isto é feito, com estas imagens,
mas através de uma narrativa que está associada aos próprios “vínculos”
que a artista tem com a literatura e com este imaginário.No Museu
Carlos Machado, a exposição não é apenas fotográfica, pois funciona numa
articulação e “simbiose” com o próprio espaço e com os objetos e itens
que pertencem a esta instituição, que irão “contrastar e dialogar com as
fotografias”, sustenta Andrea Santolaya.Este trabalho em união com o
Museu Carlos Machado foi feito com curadoria de Maria Emanuel
Albergaria, que, com a artista, fez um estudo para “poder versar e
articular com estas peças e também com a própria história dos Açores”,
prossegue a artista.De acordo com a artista, o texto sobre a
exposição é da autoria do escritor Enrique Vila-Matas, já o design
gráfico foi realizado por Júlia Garcia.O itinerário da exposição é
depois transportado para a Galeria Fonseca Macedo, onde também irão
constar algumas fotografias que já estão no Museu Carlos Machado, mas
outras que não, sendo que esta mostra será mais em “formato galeria”,
explana Andrea Santolaya, que admite ser uma “responsabilidade grande
poder trabalhar através dos Açores”.