“A humanidade de Jesus diz-nos que é possível humanizar todos os ambientes”
25 de dez. de 2024, 09:10
— Carlota Pimentel
“A esperança do Natal diz-nos que valemos não pelo que
fomos, mas pelo que somos e sonhamos ser. Gostaria de poder abraçar cada
um e cada uma dos que estão privados da sua liberdade, aqui neste
estabelecimento prisional e em todos os outros; abraçar os seus
responsáveis, os guardas prisionais e pessoal de serviço, e dizer-lhes: a
humanidade de Jesus diz-nos que é possível humanizar todos os
ambientes, servir toda e qualquer vida”, afirma o bispo de Angra, D.
Armando Esteves Domingues, citado pelo pelo sítio Igreja Açores, na sua
mensagem de Natal.Este ano, D. Armando Esteves Domingues escolheu o
Estabelecimento Prisional de Angra do Heroísmo - a maior cadeia dos
Açores com 232 reclusos -, para dirigir a sua habitual mensagem de Natal
a todos os diocesanos, lembrando que “mesmo atrás das grades, na
privação da liberdade, é possível ter esperança”. Conforme nota do
portal Igreja Açores, o bispo de Angra seguiu o exemplo do Papa
Francisco que no ano jubilar de 2025 terá uma porta santa simbólica na
cadeia de Rebibbia em Roma, o que acontece pela primeira vez na história
dos jubileus da Igreja, celebrados desde 1300. “Para além de cada
história e de cada erro ou fracasso, a vida é sempre um dom, e merece
ser vivida com dignidade e celebrada, mesmo se privados de liberdade.
Cada noite dá lugar ao dia, como a cada noite da vida se segue
invariavelmente um dia novo, uma luz de esperança que nos fará
melhores”, prossegue o bispo de Angra.“Jesus nasceu cercado por
dificuldades, pobreza e rejeição. Assim como em Belém, Ele continua a
nascer nos lugares menos esperados: em corações feridos pelo ódio ou
exclusão, em situações de guerra, de doença, de sofrimento, e, sim,
também atrás de grades”, sublinha o prelado diocesano.E acrescentou:
“Não desistam! Nunca desistam! Ninguém se entregue ao desânimo. Mesmo
quando tudo parece estar a desabar” num lugar que pode simbolizar “o
silêncio, o castigo e a dor” mas que é também um lugar onde “Deus cura
se assim o permitirmos”. “No Natal não celebramos uma recordação,
mas uma profecia. Naquela noite, o sentido das coisas tomou uma nova
direção. A história recomeça a partir das margens da pequenez, onde está
todo o sofrimento humano, mas também todos os seus sonhos”, realça,
adiantando que o “nascimento de Jesus foi uma boa notícia para os
pobres, os últimos, os anónimos, os esquecidos , os sem liberdade”.Segundo D.
Armando Esteves Domingues, “Deus entra no mundo a partir do ponto mais
baixo, para que nenhuma criatura seja excluída do seu abraço que cura”,
enfatizando que o grande assombro do Natal é “Deus na pequenez de uma
criança deitada numa humilde manjedoura”.“Enquanto o homem quer
subir, comandar, acumular bens, Deus deseja descer, servir e dar. Ele
traz uma nova ordem às coisas e ao coração” diz o bispo de Angra, citado
pelo Igreja Açores, ao frisar que o nascimento “do Deus-Menino é a
esperança que não desilude”.“O Natal é o maior ato de fé de Deus na
humanidade.Confiou o Seu filho a uma rapariga inexperiente para que
cuide dele, o alimente de leite, de carícias e de sonhos. Do mesmo modo,
Deus virá à terra apenas se nós cuidarmos dele em cada dia, como uma
mãe”, realça.D. Armando Esteves Domingues deixou ainda uma oração,
dirigindo os votos de “paz, alegria e esperança a cada mulher e a cada
homem, especialmente àqueles que se sentem prostrados pela sua condição
existencial”.“Um Santo e Feliz Natal com todos, todos, todos. Vamos
juntos encarar 2025, caminhando juntos na Esperança para alcançarmos um
futuro de paz, um futuro de amor e liberdade” conclui o bispo de Angra
na sua mensagem de Natal que estará disponível, na íntegra, no sítio
Igreja Açores no Dia de Natal.