A euforia rapidamente passou a desilusão e revolta na chegada da seleção
10 de jun. de 2025, 09:11
— Lusa/AO Online
O
avião que transportou a comitiva portuguesa aterrou no aeroporto
Humberto Delgado por volta das 13h15, mas a partir das 11h00 já vários
adeptos aguardavam ansiosamente debaixo de um calor intenso.Depois
da final, diante da Espanha, conquistada nas grandes penalidades (5-3,
após 2-2 no tempo regulamentar e prolongamento), os futebolistas da
equipa das ‘quinas’ disseram que desejavam festejar a conquista junto
dos portugueses, mas não foi o que pareceu, com pouco ânimo a contrastar
com a euforia dos adeptos.Apenas 18 dos
26 jogadores fizeram a viagem de Munique, notando-se a ausência do
capitão Cristiano Ronaldo, Diogo Dalot e Diogo Jota, além de alguns dos
atletas que disputam o Mundial de Clubes, como Diogo Costa e Rodrigo
Mora (FC Porto), Vitinha e Gonçalo Ramos (Paris Saint-Germain) e Rúben
Neves (Al-Hilal).Na ausência de Ronaldo,
foram Bernardo Silva e Bruno Fernandes a trazer o troféu na mão e a
mostrá-lo aos adeptos, na única aproximação possível das pessoas ao
grupo, que no final mostravam a sua revolta pela “falta de respeito” dos
jogadores.A exceção foi João Palhinha,
que foi o último a abandonar o aeroporto e, já só com poucas dezenas de
‘resistentes’, perdeu alguns minutos a dar autógrafos e a tirar
fotografias, tendo ido num carro particular, como muitos outros
jogadores fizeram.Pelo menos os atletas
Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Francisco Trincão, Francisco Conceição,
Rafael Leão e João Félix também não rumaram no autocarro da equipa rumo à
Cidade do Futebol, em Oeiras, com dois adeptos ainda a saltar a grade e
a chegar junto a Rafael Leão, que nem reagiu e foram prontamente
afastados.Aos jornalistas, o selecionador
Roberto Martínez e o melhor jogador da ‘final four’ da Liga das Nações,
Nuno Mendes, foram os porta-vozes do grupo e apontaram ao Mundial2026
para tentar repetir as celebrações e permanecer o “máximo orgulho”.“O
orgulho é enorme e precisamos de continuar as nossas celebrações. É
incrível, um momento muito especial que fica connosco para sempre. Dá
ainda mais força para tentar qualificar para o Mundial e repetir em 12
meses”, disse o selecionador.Apesar de um
Mundial ou um Europeu poderem ser “mais prestigiantes”, Roberto Martínez
considerou que a conquista de uma segunda Liga das Nações, em quatro
edições, necessita de ser desfrutada, visto ser uma competição “muito
exigente”.“Ganhámos um título numa
competição muito exigente. Talvez um Europeu ou um Mundial sejam mais
prestigiantes, mas são 10 jogos contra as melhores seleções da Europa.
Então o orgulho é máximo e é isso que nós hoje desfrutamos”, afirmou.Já
Nuno Mendes foi mais parco em palavras, afastando uma candidatura à
Bola de Ouro, pois considera haver jogadores “mais próximos” dessa
conquista, e a frisar a felicidade pelo título e a necessidade de
descansar antes do Mundial de Clubes.“Todos
são candidatos a ganhar [o Mundial de seleções]. Nós temos uma seleção
muito boa e jogadores de muita qualidade. Obviamente, queremos ganhar.
Temos tudo para fazer um bom Mundial”, assegurou o lateral esquerdo, que
conquistou a Liga dos Campeões e a Liga das Nações no espaço de uma
semana, em Munique.Na decisão por grandes
penalidades, Gonçalo Ramos, Vitinha, Bruno Fernandes, Nuno Mendes e
Rúben Neves converteram os pontapés que dispuseram, enquanto, do lado
espanhol, Morata permitiu a defesa a Diogo Costa.A
Espanha esteve duas vezes em vantagem, com golos de Zubimendi (21
minutos) e Oyarzabal, aos 45, mas Portugal empatou por Nuno Mendes (26) e
Cristiano Ronaldo (61).