A corrida das flores e dos voluntários no Senhor Santo Cristo (Com Fotos)
Hoje 09:25
— Daniela Arruda
Entram pelo corredor nos braços dos voluntários,
passam de mão em mão e de caixote em caixote também, são desfolhadas,
limpas, preparadas e depois postas em arranjos que, dentro de algumas
horas, vão cobrir a Igreja de Nossa Senhora da Esperança. O ambiente
é de correria e companheirismo, com tesouras, baldes e restos de flores
espalhadas pelo chão. Há gargalhadas, fé, cansaço e também ansiedade,
porque, como diz Paulo Jorge Almeida, responsável pela decoração do Coro
Baixo pela terceira vez, “parece que estamos a acabar, mas quanto mais
fazemos, mais flores aparecem”. Mas no fim, aconteça o que acontecer,
tudo tem de estar pronto.Há cerca de 30 voluntários envolvidos nas
decorações deste ano: uns fazem os arranjos, outros limpam as flores,
também há quem transporte as bases dos arranjos e outros varrem o chão:
“Só com a ajuda de todos é que conseguimos fazer”, sublinha Paulo Jorge
Almeida, que já faz parte disto há 25 anos.Este ano, o Coro Baixo
inspirou-se no tema “Caminho e Vida”, representado pelas cores das
flores. O branco simboliza a paz e a simplicidade; o amarelo, a
felicidade e a alegria; o laranja, a prosperidade e a fidelidade; o
rosa, o amor e a calma; e o vermelho lembra que “na nossa vida nem tudo é
rosas, nem tudo é branco, que temos altos e baixos e isso também está
representado”, explica.Na igreja, a decoração conta com outra
inspiração, Paulo Moura, responsável pelos arranjos do altar,
inspirou-se no Evangelho de São João: “Dou-vos um mandamento novo:
amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. A partir desta ideia,
imaginou uma decoração feita de ligações, explica que os arranjos vão
descer desde o topo do trono até à parte inferior da igreja, todos
unidos entre si, mas diferentes. “Tal como nós, somos todos
diferentes uns dos outros, mas estamos ligados”, acrescenta. Para Paulo
Moura, a mensagem que quer passar é a de um amor “que não olha às
diferenças” e que “não tem medida”.Para tornar possível esta
inspiração, ao seu lado tem Pedro Alves, de 24 anos, um dos poucos
jovens envolvido nas decorações. Começou o ano passado, a convite de
Paulo Moura, e voltou este ano para ajudar na ornamentação da igreja.
Diz que voltou por “vontade, gosto, mas acima de tudo, pela devoção” e
que o ambiente também fê-lo ficar: “A gente dá-se todos muito bem,
trabalhamos todos juntos e estamos aqui para o mesmo”. E garante que vai
continuar.Eduardina Peixoto é uma das voluntárias mais antigas
daquela casa, faz parte da festa há 32 anos, só houve um ano que faltou e
só aconteceu por ter sido operada. Vem do Faial todos os anos de
propósito para esta festa, e apesar de ter medo de andar de avião, não
deixa de estar presente: “Foi o Senhor que me prendeu aqui”, diz,
enquanto limpa as flores que chegam.Começou por vir com uma amiga,
ao longo dos anos criou amizades e um sentimento de pertença que já faz
parte da sua vida. Este ano chegou terça-feira e regressa ao Faial na
segunda-feira: “Só vim mesmo por causa desta festa”.Eduardina
Peixoto começa por volta das oito e meia da manhã e fica até “Deus
quiser”. Conta que agora há mais voluntários e mais movimento e isso
nota-se logo à entrada com flores a chegar a toda velocidade. Para dar
conta do recado, uns preparam, outros limpam e outros montam e pelo meio
há a angústia de não conseguir acabar a tempo. Ainda assim, ninguém
duvida que tudo ficará pronto a tempo, porque como disseram “no sábado
já é tarde, o Senhor já não está na igreja”.