"A coesão territorial não deve, nem pode, ser um exclusivo da Política de Coesão"
28 de abr. de 2021, 15:53
— AO Online
De acordo com nota,
perante outros intervenientes nesta conferência, como a Comissária
Europeia para Coesão e Reformas, Elisa Ferreira, ou a ministra da
Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, o antigo presidente do Governo
dos Açores salientou o percurso feito pelo Comité das Regiões
desde a sua criação, pelo Tratado de Maastricht, na defesa da
Política de Coesão, e, em especial, nos últimos anos no âmbito
das discussões sobre o Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027.
“Se há algo que o
passado recente prova, é que não podemos dar por garantida a
existência da Política de Coesão. Ela esteve, e estará, sob
pressão por um conjunto variado de fatores, como a necessidade de
financiar novas prioridades políticas da União Europeia, a sua
relativa adequação para lidar com situações extraordinárias como
a crise financeira ou a pandemia de Covid-19 ou, ainda, as próprias
críticas que, alguns dos seus beneficiários lhe tecem por causa dos
seus programas serem alegadamente demasiado complexos ou
burocráticos, mas é necessária uma postura de vigilância e defesa
pronta e determinada, daquela que constitui a política que pretende
concretizar um dos objetivos fundamentais da União. Isto é, a
coesão social, económica e territorial”, referiu Vasco Cordeiro,
citado na mesma nota.
No que diz respeito
à relação entre a dimensão territorial da Política de Coesão e
outras políticas da União Europeia, Vasco Cordeiro criticou aquilo
que considerou ser absolutamente incompreensível no âmbito, por
exemplo, da nova Política Agrícola Comum.
“A dimensão
territorial não pode ficar enclausurada na Política de Coesão, mas
deve ser transversal às várias políticas da União e isso nem
sempre acontece. Um exemplo recente, é o da exclusão das regiões
da gestão da nova Política Agrícola Comum, nomeadamente, do
segundo pilar relativo ao Desenvolvimento Rural, ao contrário do que
acontecia antes. Isto significa que numa das componentes da PAC, que
mais influência tem nas comunidades rurais, a ter vencimento aquilo
que está em cima da mesa, as regiões da União são excluídas da
gestão dessa política. Isso é um erro”.