59% defende que responsáveis do antigo regime deviam ter sido julgados
25 de Abril
19 de abr. de 2024, 11:21
— Lusa
A conclusão é da equipa que realizou uma sondagem hoje divulgada pela
Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril, na qual se reproduzem
questões colocadas em estudos idênticos realizados em 2004 e em 2014.
No caso dos funcionários da PIDE/DGS, a polícia política, o sentimento
de que não foi feita justiça também aumentou nos últimos 10 anos. Em
2014, esta opinião foi expressa por 45% dos inquiridos, mas no atual
inquérito foi assumida por 64%, um aumento de 19 pontos percentuais.
O trabalho, desenvolvido por uma equipa do Instituto de Ciências
Sociais da Universidade de Lisboa e do ISCTE – Instituto Universitário
de Lisboa, mostra que apenas um em cada cinco inquiridos considera que o
regime político que existia antes do 25 de Abril de 1974 teve “mais
coisas positivas do que negativas”. Quanto
mais elevado é o nível de instrução, maior a propensão para se
considerar que o regime anterior tinha mais de negativo do que de
positivo. Relativamente à questão “como
devia passar à história o 25 de Abril?”, mais de metade defende
consequências mais positivas do que negativas, mas observa-se “um
aumento gradual” da proporção de inquiridos que considera que teve
consequências tão positivas como negativas, “ideia partilhada atualmente
por cerca de um terço dos inquiridos”, sublinham os autores do
trabalho, coordenado por Pedro Magalhães. O grupo que tem uma visão predominante negativa das consequências do 25 de Abril mantém-se nos 10% desde 2014.
“As mulheres, os idosos, os menos escolarizados e os que reportam
dificuldades em viver com o rendimento do agregado familiar são
ligeiramente menos propensos a achar que os portugueses se devem
orgulhar do modo como ocorreu a transição para a democracia”, lê-se no
relatório da sondagem “Os Portugueses e o 25 de Abril”.
As figuras públicas mais mencionadas quando se fala em 25 de Abril são
António de Oliveira Salazar (16%) e Salgueiro Maia (15%), seguidos por
Mário Soares e Otelo Saraiva de Carvalho (9% cada) e de Ramalho Eanes
(6%). António de Spínola e Marcello
Caetano recolhem, cada um, 4% das respostas espontâneas, Francisco Sá
Carneiro 3% e Álvaro Cunhal e Zeca Afonso 2%.
Quase metade dos inquiridos (48%) não considera que exista um partido
político que represente hoje o 25 de Abril mais do que qualquer outro.
O PS e o PCP são os partidos mais mencionados, com taxas de referência
de 14%, cada. Os restantes partidos apresentam “níveis residuais” de
associação. A esta questão não responderam 17% dos inquiridos para a sondagem.